Doentes com problemas económicos devem ficar em casa e pedir ajuda
Covid-19
13 de nov. de 2020, 11:32
— Lusa/AO Online
“Nós
não devemos, por carência económica extrema, ir trabalhar doentes ou
mandar um filho doente à escola, porque estamos a agravar não só o
estado da doença, porque não estamos em repouso, nem a ser tratado, nem
acompanhados, como estamos a ser agentes propagadores de doença”,
alertou Graça Freitas, em entrevista à agência Lusa.A
diretora-geral da Saúde apelou às pessoas para que “fiquem mesmo em
casa e entrem em contacto com a equipa de saúde pública ou com a Linha
Saúde 24, para que alguém as possa ajudar, e mencionem mesmo que têm
carências”.“Nós só conseguimos chegar e
ajudar quem soubermos que precisa de ser ajudado, porque felizmente
muitas pessoas podem ficar em casa com esses mecanismos sem necessitar
de nenhum apoio extraordinário”, salientou.Por
isso, reforçou: “Não vá ao trabalho, não vá à escola, mas auto
sinalize-se. Diga ao médico de saúde pública, ao médico de Medicina
Geral de Familiar, à Segurança Social, à autarquia que precisa de ajuda,
que certamente terá”. Para atender a
estas situações, foram criados mecanismos para que as pessoas que estão
doentes tenham o seu atestado médico e para que as pessoas que estão em
casa em isolamento profilático tenham uma declaração de incapacidade
provisória que as faz não perder os direitos laborais, nomeadamente, o
vencimento, explicou Graça Freitas.“Agora
eu sei que estamos muitas vezes a falar de trabalhadores sem nenhum tipo
de vínculo, que são precários, que têm uma vida difícil”, mas para
estes trabalhadores foram criados mecanismos a nível autárquico. “Isto
não é uma doença só do setor da saúde”, observou, e as autarquias têm
tido um papel “importantíssimo", bem como outras estruturas, como as
igrejas, que dão apoio social.Graça
Freitas deu o exemplo do que se passou em Lisboa, em que houve um número
de casos elevados “em populações periféricas muito débeis socialmente”.
Houve equipas que faziam visitas domiciliárias a essas pessoas e linhas
de financiamento autárquicas para lhes providenciar apoio económico,
habitacional, alimentar e prestação de cuidados para que ficassem nas
suas casas ou num domicílio de retaguarda.A
criação destas equipas está a ser expandida no Norte do país: “Estão a
criar-se os mesmos mecanismos porque temos de dar aos nossos concidadãos
menos bem do ponto de vista económico, com emprego precário e com medo
de não conseguirem sobreviver a 15 dias, pelo menos, de isolamento ou de
doença, condições para que eles cumpram o seu dever”, avançou.Traçando
o retrato do doente covid-19 na segunda vaga da pandemia em relação à
primeira, disse que “a grande diferença” é o perfil etário, que se situa
agora entre os 20 os 50 anos.Quanto à
demora média de internamento em enfermaria e em cuidados intensivos,
afirmou que “é muito menor porque os médicos também aprenderam a lidar
com esta doença”.“Não há terapêutica
específica, mas há tratamentos que se podem fazer e medicamentos que
podem melhorar o prognóstico e que encurtam a demora média do
internamento”, sublinhou Graça Freitas, que é especialista em saúde
pública. A diretora-geral alertou que
apesar de a maior parte dos jovens terem doença ligeira, há “um efeito
indireto” no aumento do número de idosos infetados, que vão levar a "uma
ocupação grande dos serviços de saúde, públicos, privados, sociais” e a
“uma pressão maior”. advertiu.No ano
passado, observou ainda, não havia doentes covid e agora há e isso vai
ter repercussões sobre os jovens que costumam ter, por exemplo,
acidentes, apendicites ou outras situações típicas da juventude. Se
houver "uma sobrecarga nos serviços de saúde à conta dos mais velhos
que contraíram covid-19, obviamente terá um efeito indireto sobre a
saúde dos mais novos, quanto mais não seja no acesso e na demora para
lhes ser prestado cuidados”, afirmou ainda.