Documentário retrata comunidade açoriana na Nova Inglaterra
21 de jan. de 2020, 16:14
— Lusa/AO Online
“Há um
conjunto de entidades que promove e defende a língua e a cultura
portuguesa e, em torno dessas associações e dos eventos que vão
organizando, mantém-se a união, a ligação à terra e a língua”, adiantou,
em declarações à Lusa, o presidente da Burra de Milho e realizador do
documentário, Miguel Costa.O primeiro
trabalho de Miguel Costa como realizador estreou-se no sábado em Angra
do Heroísmo e deverá ser apresentado também nos Estados Unidos da
América (EUA), onde foi rodado em 2015 e 2016, mas por enquanto não há
datas marcadas.A ideia de retratar esta
comunidade em documentário surgiu numa visita à Nova Inglaterra, no
âmbito da divulgação da mostra de cinema açoriano Amostram´isse.“Ficámos
surpreendidos e admirados pela dimensão da rede de contactos e com a
intensidade com que as pessoas queriam ajudar a promover tudo o que era
relacionado com a sua terra. Ouvimos histórias dessas, mas ver acontecer
realmente foi diferente. Ficámos com a ideia de um dia produzir algo em
torno daquelas comunidades”, revelou Miguel Costa.O
documentário foca-se num grupo de “dinamizadores e de responsáveis por
grupos de cariz cultural, ligados a universidades e a cargos de chefia e
responsabilidade política, que acabam por ser os líderes da
comunidade”.“O que achamos interessante
foi captar a perspetiva deles sobre o grupo em geral. Como é que as
pessoas se davam entre as várias comunidades dentro da própria
comunidade, qual era o espírito de solidariedade, até que ponto havia
uma troca de contactos e qual a influência na própria economia da
região, para perceber qual seria o poder da comunidade como um todo na
área financeira e dos negócios”, salientou o realizador.Numa
região com forte presença de emigrantes açorianos, a ligação à terra de
origem mantém-se viva, sobretudo através de iniciativas promovidas por
associações de cariz cultural e através das escolas que ensinam
português. “O Espírito Santo continua a ter um poder enorme na agregação destas várias comunidades”, destacou Miguel Costa.Questionado
sobre a passagem desse testemunho para as gerações mais novas, de
filhos e netos de emigrantes, o presidente da Burra de Milho disse que o
tema dava outro documentário, mas mostrou-se confiante.“Acho
que já foi mais urgente, já tiveram mais receio de as gerações mais
novas não ligarem [às raízes] do que hoje em dia. Acho que há um certo
espírito de esperança e de renovação, que acaba por surgir com estas
novas gerações que têm interesse. Portugal e os Açores já são mais
atraentes”, afirmou, alegando que atualmente já há perspetivas de
negócios ou de residência no país dos pais e dos avós.A
escola portuguesa “continua a ser a grande ligação às futuras
gerações”, mas Miguel Costa admitiu que se discute na comunidade a
possibilidade de adaptarem algumas atividades, utilizando a língua
inglesa, para despertar a atenção dos mais jovens. “Pessoalmente,
sinto que existe esta esperança junto destas comunidades. Por outro
lado, muitos assumem que as famílias estão completamente enraizadas nos
Estados Unidos. Os filhos, os netos, todos falam inglês, todos trabalham
lá, todos têm os seus amigos e os seus núcleos, por isso, é realmente
algo complicado”, apontou.