Docentes vão pedir demissão do ministro caso avançem serviços minimos ilegais
17 de fev. de 2023, 12:25
— Lusa/AO Online
“Se forem decretados
serviços mínimos e depois o tribunal vier a considerar ilegal, nós
iremos exigir responsabilidades políticas e seremos os primeiros a vir
para a porta do ministério de lenços brancos pedir a demissão do
ministro”, anunciou Mário Nogueira, em representação das nove estruturas
sindicais que convocaram a paralisação.Em
declarações aos jornalistas, Mário Nogueira recordou que em 2018 quando
a Fenprof recorreu à justiça também para travar serviços mínimos, a
decisão dos tribunais dando razão ao sindicato chegou depois das greves e
de convocados os serviços mínimos. Os
sindicatos admitem recorrer novamente aos tribunais, mesmo sabendo que a
decisão “não tem efeito prático”, mas caso lhes seja dada razão irão
pedir a demissão do ministro.Na
quarta-feira o Ministério da Educação revelou que ia pedir serviços
mínimos para as duas greves regionais marcadas para 02 de março nas
escolas do norte e dia 03 nos estabelecimentos de ensino do sul do país.Hoje,
em declarações aos jornalistas antes de entrar para mais uma reunião
sobre um novo regime de colocação e recrutamento de professores, Mário
Nogueira voltou a defender ser ilegal a convocação de serviços mínimos
para as duas greves de março.O
secretário-geral da Fenprof recordou que existe jurisprudência de 2018
que deu razão aos sindicatos e que desde então “nada mudou na
constituição nem na lei da greve”.“Os
serviços mínimos na educação estão claramente definidos na lei”, podendo
ser aplicados apenas quando há exames, avaliações finais e provas
finais que se realizem em todo o país ao mesmo tempo, recordou o
secretário-geral da Fenprof, lembrando que “não é o caso” da paralisação
regional de março. Por isso, caso as
reuniões que hoje começam na Direção-Geral da Administração e Emprego
Público entre sindicatos e representantes do ministério levem à
convocação de serviços mínimos, os sindicatos dizem que irão novamente
recorrer à justiça: “Nós, as nove organizações, iremos para tribunal”. Sublinhando
discordar com os serviços mínimos decretados pelo colégio arbitral para
a greve do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (Stop),
Mário Nogueira sublinhou ainda que aqueles protestos “não têm nenhum dos
requisitos que se apliquem agora” as greves de 02 e 03 de março: “Não é
prolongada, indeterminada ou imprevisível”.O
Ministério da Educação solicitou serviços mínimos para a greve
decretada pelo Stop, que começou no início de dezembro e continua, tendo
o tribunal arbitral decidido favoravelmente em relação ao pedido da
tutela.