Docentes do ensino superior admitem greve para exigir pagamento das progressões
28 de fev. de 2018, 14:01
— Lusa/AO online
Cerca
de 14 mil professores de carreira de universidades e institutos
politécnicos estão desde janeiro à espera de ver atualizado o seu
vencimento tendo em conta a progressão na carreira. Ao
SNESup chegam “todos os dias e-mails de professores do norte ao sul do
país a perguntar onde é que está a progressão prevista no Orçamento de
Estado” para 2018, lembrou o presidente do sindicato, Gonçalo Velho.A
lei do Orçamento do Estado para 2018 (LOE2018) previa que as alterações
remuneratórias devidas pela progressão da carreira dos funcionários
públicos seria paga de forma faseada ao longo dos próximos dois anos,
sendo os primeiros 25% pagos em janeiro.Entretanto,
o Ministério das Finanças veio dizer que em alguns casos a progressão
seria paga nos meses seguintes, “mas sempre com retroativos".Gonçalo
Velho diz que o caso dos professores do ensino superior é diferente,
uma vez que reitores e presidentes dos politécnicos dizem não ter verbas
e que a atualização só poderá acontecer quando o Governo fizer um
orçamento retificativo.A atualização da carreira dos docentes representa um custo de oito milhões de euros, segundo o SNESup. “De
um lado dizem que no orçamento não foram contempladas verbas para a
progressão e que o Governo não dá o dinheiro. Do outro dizem que são os
reitores e presidentes que têm de pagar o valor devido”, resume Gonçalo
Velho, sublinhando que «a Lei de Orçamento de Estado possui um valor
reforçado e é inadmissível que se chegue a fevereiro sem cumprir com os
pagamentos».
“Ficamos no limbo entre duas entidades que parecem não saber fazer um
orçamento do estado. A verdade é que o estado de direito está em
falência nas universidades e politécnicos. É como se não houvesse lei”,
criticou.Neste
momento, algumas instituições de ensino superior já pagaram aos seus
docentes os vencimentos de janeiro e fevereiro com as devidas
progressões remuneratórias, mas a maioria continua em falta.O
Conselho Nacional do SNESup vai reunir-se, no sábado, para discutir
esta e outras matérias: “Os professores ponderam a greve assim como
outras formas de contestação”, afirmou o presidente do sindicato.Os
docentes e investigadores são responsáveis por angariar mais de 600
milhões de euros em projetos, sendo responsáveis por grande parte da
sustentabilidade do Ensino Superior e Ciência. A
Lusa tentou sem sucesso contactar os presidentes do Conselho de
Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e do Conselho Coordenador
dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).