Divulgação de emails foi "estratégia do FC Porto para manchar nome do Benfica"
4 de out. de 2022, 17:17
— Lusa/AO Online
“O
Benfica foi altamente lesado na sua imagem. Todo o processo foi
desgastante. O Benfica era um clube altamente profissionalizado e a sua
imagem ficou seriamente prejudicada”, afirmou Luís Filipe Vieira, na
terceira sessão do julgamento do processo da divulgação dos emails do
Benfica no Porto Canal, que decorreu no Juízo Central Criminal de
Lisboa.Vieira, que depôs em tribunal na
condição de assistente do processo, gozando por isso da prerrogativa de
não responder a perguntas das quais pudesse resultar autoincriminação,
elogiou a “credibilidade” do Benfica, em relação a outros clubes,
classificada pelo advogado do arguido Francisco J. Marques como “uma ode
à sua própria gestão”“O clube estava
muito à frente dos outros, quem fez isto foi para manchar o Benfica”,
afirmou, acrescentando: “O FC Porto teve uma estratégia de manchar o
nome do Benfica”.O antigo presidente do
clube da Luz, que definiu o caso como “um assalto que fizeram ao
Benfica”, referiu que após a divulgação dos emails foi chamado ao Banco
Comercial Português, onde lhe foi colocada uma questão: “O que se passa,
há ou não há corrupção no Benfica?”.Luís
Filipe Vieira, que se demitiu da presidência do clube em julho de 2021,
depois de ter sido constituído arguido no âmbito da operação Cartão
Vermelho, disse ter perdido negócios devido à divulgação dos conteúdos,
feita no Porto Canal, em 2017 e 2018.“Estava
em negociações com um grupo chinês, que previa que o Benfica recebesse
79 milhões de dólares, em seis anos, esse negócio perdeu-se. Tive também
problemas com a Emirates [patrocinadora do Benfica]”, afirmou.O
antigo líder ‘encarnado’, que admitiu receber dezenas de emails na sua
caixa de correio eletrónico no período em causa, disse ter sido
prejudicado a nível pessoal e empresarial pela divulgação dos emails,
“porque era o rosto do Benfica”.“Quem
entrou no sistema do Benfica, entrou no sistema da minha empresa.
Ninguém tinha paz em casa, eu tive um princípio de depressão, porque me
sentia envergonhado (…) A minha mulher era confrontada com estes
assuntos no cabeleireiro e na padaria”, afirmou.O
caso da divulgação dos emails remonta a 2017 e 2018, com comunicações
entre elementos ligados à estrutura de Benfica e terceiros a serem
reveladas no Porto Canal, e tem três arguidos: o jornalista e ex-diretor
do Porto Canal Júlio Magalhães, o diretor de comunicação do FC Porto,
Francisco J. Marques, e Diogo Faria, diretor de conteúdos do canal dos
'dragões'.Francisco J. Marques é acusado
de três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações,
três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações
agravados, em concurso aparente com três crimes de devassa da vida
privada, e um crime de acesso indevido. O diretor de comunicação do FC
Porto responde ainda por cinco crimes de ofensa a pessoa coletiva
agravados e um crime de ofensa à pessoa coletiva agravado na sequência
de uma acusação particular.O diretor de
conteúdos Diogo Faria responde por um crime de violação de
correspondência ou de telecomunicações e um crime de acesso indevido,
além de um crime de ofensa à pessoa coletiva agravado em acusação
particular.Por último, Júlio Magalhães
está acusado pelo Ministério Público de três crimes de violação de
correspondência ou de telecomunicações agravados, em concurso aparente
com três crimes de devassa da vida privada, bem como cinco crimes de
ofensa a pessoa coletiva agravados.