Dívida a pagamento dos municípios cresceu 2,6% em 2023 para 4.584,4 ME
12 de nov. de 2024, 10:01
— Lusa/AO Online
“Depois
de decréscimos anuais sucessivos do passivo exigível [dívida que deve
ser paga dentro de determinado prazo] dos municípios entre 2013 e 2020,
este cresceu em 2021 cerca de +2,1%, em 2022 +1,5% e em 2023 +2,6%”,
segundo o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, da
responsabilidade do Centro de Investigação em Contabilidade e
Fiscalidade do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (CICF/IPCA) e
com o apoio da Ordem dos Contabilistas Certificados e do Tribunal de
Contas, cuja 20.ª edição é apresentada esta terça-feira em Lisboa.Segundo
o documento, o total do passivo exigível foi, em 2023, de 4.584,4
milhões de euros (ME), representando 65,5% do passivo total, com um
aumento de +2,6% (+114,3 milhões de euros).“Continuou
a contribuir, essencialmente, para este aumento o acréscimo de valor de
fornecedores e credores de curto prazo, neste ano económico, em +123,3
milhões de euros (+9,0%), ao totalizar o valor de 1.495,5 ME”, é
destacado.A análise das contas municipais
permitiu concluir que 148 municípios aumentaram o seu passivo exigível
no ano passado, resultando no acréscimo global de +114,3 milhões de
euros (+2,6%), enquanto outros 160 baixaram o valor da dívida a pagar.O
aumento da dívida verificou-se sobretudo em nove distritos e na Região
Autónoma da Madeira, com destaque para o de Lisboa, onde cresceu +159,2
ME.Por municípios, o Anuário destacou a
contribuição dos municípios de Braga (+19,1 ME) e de Coimbra (+16,6 ME)
para o crescimento desta dívida.Em outros
nove distritos e na Região Autónoma dos Açores verificou-se uma redução
do passivo exigível, com destaque para o de Faro, com uma descida de
-45,8 ME, e o do Porto, com -35,3 ME.“Contudo,
o valor total desta redução foi inferior, ao valor total do acréscimo
apresentado pelos restantes distritos e região da Madeira. Anota-se,
ainda, que os distritos de Lisboa e Porto, em 2023, concentraram 35,2%
do passivo (1.614,1 ME)”, é salientando.Entre
os municípios que mais desceram o respetivo passivo exigível,
destacam-se os de Castelo Branco (-30,1%), Murça (32,6%) e Vila Real de
Santo António (-34,5%), que apresentaram uma descida igual ou superior a
30%.Em 2023, o total do passivo exigível dos Serviços Municipalizados (SM) foi de 125,7 ME, representando 62,0% do passivo total.Esta
dívida dos SM baixou -8,5% (-11,7 ME) em relação a 2022, mas entre 2020
e 2023 o passivo exigível dos SM cresceu +19,7% (+20,7 ME), é realçado
no documento.Já a dívida exigível das 114 entidades do setor empresarial local (SEL) cresceu +5,9% (+45,3 ME).