Diversos comandantes dão pareceres favoráveis a proposta para porto da Horta
23 de mai. de 2019, 13:27
— Lusa/AO Online
A agência Lusa teve acesso a quatro pareces de pilotos que operam no porto da Horta.Marco
Madruga, diretor de Operações Portuárias e Chefe de Pilotagem,
considera que a solução apresentada pela Portos dos Açores "não
apresenta qualquer tipo de problema para a entrada, manobra de atracação
e atracação dos navios, quer para os que neste momento são habituais
frequentadores do porto, quer para navios com características
semelhantes que um dia possam vir igualmente a frequentar este porto".Já
o comandante Filipe Gomes, piloto residente na Ilha das Flores, que
opera no porto da Horta sempre que necessário, é da opinião que "havendo
a separação da navegação comercial da navegação de recreio, estarão
reunidas as condições de operacionalidade para o movimento/rotação dos
navios".Lizuarte Machado, piloto residente
na ilha do Pico, que opera no porto da Horta sempre que necessário, diz
ser provável que não venha a existir "qualquer constrangimento, quer
operacional quer de manobrabilidade, no que diz respeito ao acesso ao
porto comercial"."Aliás, a separação,
total e permanente, entre a náutica de recreio e a navegação comercial,
constitui um significativo acréscimo na segurança das mesmas",
prossegue, no seu parecer ao projeto.Outro
parecer a que a agência Lusa teve acesso foi do comandante Paulo
Azevedo, piloto residente na ilha do Faial, para quem "a nível de
operacionalidade e manobrabilidade não haverá qualquer constrangimento
visto que o espaço de manobra" necessário "mantém-se igual". "O
único pouco negativo que poderei considerar, a nível de
operacionalidade e manobrabilidade, será o estrangulamento da área de
saída da náutica de recreio/pescas pois na época sazonal poderá haver
mais movimento e menos espaço para dar o devido resguardo aos navios
mercantes, o que poderá haver algumas interferências com as manobras",
diz ainda.O PSD/Faial disse na
quarta-feira estar contra o projeto apresentado pelo Governo socialista
para a requalificação do porto da Horta, nos Açores, por entender que a
solução proposta pode "destruir" o futuro daquela infraestrutura.Embora
admita não ter "conhecimentos técnicos" para avaliar a solução proposta
pelo executivo para o porto da Horta, o deputado do PSD/Açores Carlos
Ferreira entende ser necessário "bom senso" e "capacidade de ouvir" a
comunidade portuária, que tem colocado "dúvidas fundamentadas" sobre
este projeto.O deputado social-democrata
referia-se às críticas feitas, no final da semana passada, pela Mesa de
Turismo da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que também contesta o
projeto de requalificação do porto da Horta, obra orçada em mais de 17
milhões de euros."Condenamos e lamentamos a
forma descuidada como foi conduzido este processo, que devia
envergonhar esta governação, e que tem prejudicado no presente o Faial e
o seu porto, e se arrisca a condicionar para sempre o seu futuro",
insiste o social-democrata.O principal
ponto de discórdia em relação ao projeto de requalificação do porto da
Horta, lançado pela empresa pública Portos dos Açores, é a construção de
um novo cais, com enrocamento exterior, no interior do porto comercial,
dividindo a zona das mercadorias da marina da Horta, uma das mais
movimentadas da Europa.Apesar de todas
estas críticas, o presidente do Conselho de Administração da Portos dos
Açores, Miguel Costa, afirma que "esta é a melhor solução" para a
requalificação do porto da Horta e que muitas das críticas não têm
fundamento.Segundo Miguel Costa, a obra
deverá ser lançada a concurso em breve, prevendo-se que tenha início no
final deste ano ou no início de 2020.