Distrito de Coimbra causa preocupação mas caudal do Mondego está a baixar
Mau tempo
23 de dez. de 2019, 10:36
— Lusa/AO Online
Segundo o comandante Carlos Pereira, da ANEPC,
que falava à Lusa, “o número de
ocorrências diminuiu significativamente, tendo-se registado nas últimas
12 horas 11 ocorrências”.“Não se pode
dizer que está a voltar à normalidade, nem nada que se pareça, mas o
leito do rio Mondego está a reduzir em toda a área envolvente à bacia do
rio, o que está a ajudar as populações em redor a retomar a sua
normalidade”, afirmou Carlos Pereira, reconhecendo, no entanto, a
existência de “situações pontuais”.De
acordo com o responsável, o distrito de Coimbra “é o que está a causar
maior preocupação”, mas há ainda a situação do desaparecimento de um
operador de uma máquina em Castro Daire, distrito de Viseu.“A
nível de inundações será sem dúvida todo o distrito de Coimbra na área
do Mondego, tudo que envolve a bacia do Mondego, mas que está a baixar o
nível e a ajudar a tentativa de repor a normalidade em todos os
municípios à sua volta”, reconheceu.Na
noite de domingo, o presidente do município de Montemor-o-Velho disse
que o talude esquerdo do leito periférico direito do Mondego colapsou,
no local onde poucas horas antes tinha sido identificado um aluimento de
terras.Em declarações aos jornalistas,
Emílio Torrão confirmou o colapso do talude esquerdo, numa extensão de
50 metros, bem como o transbordo de água para aquele canal a partir dos
campos agrícolas que estão alagados, cerca de meio quilómetro a montante
da ponte das Lavandeiras, na povoação de Casal Novo do Rio.A
povoação está a ser defendida através de uma barreira de pedras e sacos
de areia, ali colocada por meios da Proteção Civil municipal. O
município pediu ao ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que a
EDP pudesse suspender as descargas na barragem da Agueira - pedido que
estava a ser cumprido, segundo o autarca. Ao
pedido para a suspensão de descargas na barragem da Aguieira juntou-se a
maré vazante, o que possibilita "a maior capacidade de encaixe" no
leito principal do Mondego, para onde corre a água do leito periférico
direito. Segundo o comandante Carlos
Pereira, com base nas informações transmitidas pelo Instituto Português
do Mar e da Atmosfera, “nos próximos dias não há precipitação”, logo,
“as descargas a montante vão reduzir-se e o leito do rio Mondego vai
baixar”.A circulação de comboios no Ramal
de Alfarelos, entre Alfarelos e Verride, distrito de Coimbra, continua
suspensa por causa dos efeitos do mau tempo, que obrigou a um corte de
tensão entre Alfarelos e Figueira da Foz/Lourical.Segundo
informação divulgada hoje pela Infraestruturas de Portugal (IP), devido
às condições climatéricas adversas, principalmente nas regiões Norte e
Centro do país, a circulação ferroviária tem sido afetada, mantendo-se
hoje de manhã alguns condicionamento, apesar de terem vindo a ser
resolvidas "a grande maioria das situações".Os
efeitos do mau tempo que se fazem sentir desde quarta-feira já
provocaram dois mortos, um desaparecido, deixaram 144 pessoas
desalojadas e 352 pessoas deslocadas por precaução, registando-se mais
de 11.600 ocorrências no continente português, na maioria inundações e
quedas de árvore.O mau tempo provocado
pela depressão Elsa, entre quarta e sexta-feira, a que se juntou no
sábado o impacto da depressão Fabien, provocou também condicionamentos
na circulação rodoviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a
distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região
Centro.