Distribuição de manuais escolares gratuitos alargada até ao 12.º ano
2019
21 de dez. de 2018, 13:30
— Lusa/AO Online
Os
manuais serão distribuídos por cerca de um milhão de alunos, que terão
também acesso às licenças digitais, numa medida avaliada em mais de 160
milhões de euros.Este
é um dos resultados das negociações com o PCP e Bloco de Esquerda, que
conseguiram inscrever a mudança no Orçamento do Estado (OE2019).No
parlamento, durante a discussão na especialidade do OE2019, o ministro
da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, sublinhou que assim se
concretizava “uma obrigação republicana para com todos os seus
cidadãos”, que representa para muitos deixar de ter “uma despesa muitas
vezes equivalente a um dos seus salários mensais”. Em
alguns anos de escolaridade, a poupança para cada aluno pode chegar aos
400 euros, segundo uma média feita pela Lusa, tendo em conta os preços
dos manuais escolhidos em várias escolas do país.“Garantimos
assim que todos começam o ano letivo nas mesmas condições do colega do
lado e não à medida do que o equilíbrio financeiro mensal das despesas
familiares permite”, sublinhou Tiago Brandão Rodrigues.No
entanto, a medida deixa de fora os alunos das escolas privadas,
situação que levou os colégios particulares a pedirem alterações à
proposta de OE2019. A
deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa também tem defendido a distribuição
de manuais gratuitos pelos alunos dos colégios privados, dando como
exemplo o que acontece com os medicamentos: São comparticipados pelo
Estado de forma igual para todas as famílias, independentemente do seu
rendimento ou do local onde são tratados. Já
o PSD tem criticado a opção do Governo por considerar que os manuais
deveriam ser gratuitos apenas para os alunos mais carenciados,
permitindo direcionar esta verba para o reforço da ação social escolar.No
ano letivo em curso, o processo de distribuição dos livros passou a ser
feito através de uma plataforma ‘online’, tendo surgido alguns atrasos
na entrega dos livros e nos pagamentos às livrarias aderentes. O atraso nos pagamentos levou alguns livreiros a admitir que poderiam desistir do projeto no próximo ano. Se
em 2018 a medida abrangeu 520 mil alunos do 1.º ao 6.º ano de
escolaridade, no próximo ano o universo de estudantes envolvidos dispara
para o dobro. A
distribuição de manuais gratuitos é feita através de uma plataforma
‘online’ que atribui ‘vouchers’ às famílias para que possam escolher
onde querem levantar os manuais, com as escolas a servirem de
intermediário e também um papel de verificação de dados no processo.