Distinções trazem orgulho e responsabilidade aos restaurantes
Hoje 02:13
— Nuno Martins Neves
Na segunda edição em solo lusitano deste conceituado guia turística espanhol, os sabores dos Açores mereceram a categoria 1 Sol (a segunda de quatro categorias, que vai desde Recomendado até 3 Sóis): a petiscaria O Calheta, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel; o Bioma, nas Lajes do Pico, e o Latitude, na Madalena, também na ilha do Pico.Hugo Ferreira, chef do espaço micaelense, criado em janeiro de 2025, fala de uma responsabilidade acrescida. “Porque uma distinção, como todas as distinções, não é só de uma parte. São duas partes. É da nossa parte, de dentro para fora, como também da avaliação à qual nós estamos sujeitos por parte do público que nos visita, da nossa clientela”.O responsável pelo restaurante situado no cruzamento da rua João de Melo e da rua do Calhau, defronte para a Calheta Pêro de Teive, entende o prémio como uma distinção particular, face aos dois espaços picarotos: “O Latitude e o Bioma são projetos muito próximos, ou se não próximos, mas mais direcionados para o fine dining. E nós, com o devido preço que nós temos, pretendemos ser um restaurante de todos os dias. E por isso há uma diferença significativa”.Do Bioma, ver figurar o nome em uma das “mais relevantes referências ibéricas na área da gastronomia” é sinal de reconhecimento “do trabalho desenvolvido na valorização do território e do património gastronómico açoriano”, lê-se na nota de imprensa.O projeto, liderado por uma nova geração de chefs, encabeçada por Rafael Ávila, centra a sua filosofia na ligação às tradições, costumes e identidade local, na aposta de uma cozinha produto, “ sustentável e profundamente enraizada na natureza e cultura dos Açores”.E o prémio surge num contexto “particularmente exigente”, fruto dos desafios da insularidade e da sazonalidade, bem como da dificuldade de acesso a mão de obra e limitações nos canais de distribuição.Apesar disso, oBioma sente que a distinção do Guia Repsol “representa não só um reconhecimento nacional, mas também um contributo para a projeção do Pico como destino gastronómico emergente, com identidade própria e potencial de afirmação internacional”.Um pouco mais a oeste na ilha montanha, no Latitude, o reconhecimento dado pelo Guia Repsol também foi recebido de braços abertos. “Receber esta distinção para um projeto no meio do Atlântico - uma verdadeira gota no meio do oceano - é um motivo de imenso orgulho e felicidade. Orgulho na nossa equipa, no nosso trabalho, no nosso arquipélago, na nossa história e na nossa gente”, diz Filipe Rocha, um dos sócios-fundadores da Azores Wine Company, citado na nota de imprensa.Rodeado pela Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Património Mundial da UNESCO, e com o Pico lá no alto a mirar, o restaurante que tem Rui Batista como chef faz por ter a gastronomia açoriana no menu, do borrego de Santa Maria, ao ananás de São Miguel, passando pelo café de São Jorge e a manteiga do Pico. “É o nosso tributo às ilhas, ao espírito insular, à resistência, à atitude. Às pessoas, acima de tudo”, resume Filipe Rocha.E para celebrar o feito, os chefs dos três restaurantes vão reunir-se, no Latitude, para um jantar único, no dia 2 de julho.