Distanciamento difícil no mar e no areal nas praias pequenas da Linha de Cascais
23 de mai. de 2020, 18:09
— Rosa Cotter Paiva/LUSA
Com temperaturas a rondar os 30 graus, tanto
na praia de São Pedro do Estoril, como na vizinha das Avencas, a
afluência de banhistas superava aquilo que poderia ser o desejável tendo
em conta as recomendações do Governo no acesso às praias em tempo de
pandemia.A distância física entre os
utentes deve ser de 1,5 metros e entre chapéus de sol, toldos ou colmos
de três metros, mas não foi o cenário a que a reportagem da agência Lusa
assistiu ao início da tarde de hoje, durante a maré-cheia o areal
transforma as praias que ficam ainda mais pequenas.Apesar
de o Governo ter marcado a abertura do período balnear para 06 de
junho, pode ir-se à praia, após a resolução do Conselho de Ministros que
prorroga a declaração da situação de calamidade, no âmbito da pandemia
da doença covid-19, datada de dia 17 de maio.Hoje,
o areal estava repleto e podiam ver-se famílias a passear à beira mar,
banhistas a partilhar uma garrafa de cerveja, grupos de amigos a que se
iam juntado outros que chegavam à praia e até cães a brincar no parco
areal. Alguns ainda tentavam o
distanciamento, mas tendo em conta o espaço disponível ficava difícil o
panorama não ser de ficar quase em cima da toalha vizinha.José
encontrava-se sentado no muro a contemplar o mar na praia de São Pedro
do Estoril e a horda de surfistas em grupo à espera de apanhar a melhor
onda. Disse à Lusa que ao fim de semana não desce ao areal, a praia “é
pequenita”, reconheceu.“Venho várias
vezes, moro aqui perto. [Hoje] venho dar um passeio, mas não vou
mergulhar, por enquanto ainda não, hoje não. Ao fim de semana não gosto
de ir para a água”, explicou, e olhando para a praia, acrescentou que
quando a maré está cheia, como era o caso, “pouco espaço há”.Pedro
Hubert falou já à saída da praia, enquanto a família ia sacudindo a
areia, e disse que hoje não foi o seu primeiro dia, explicando que o
facto de morar perto lhe dá a possibilidade de poder escapar até à
praia.“Já tenho vindo algumas vezes dar um
mergulho, para arejar um bocadinho. Até agora penso que as pessoas se
têm comportado bem, têm respeitado, mesmo nos outros dias”, afirmou,
avançando que se as pessoas ficarem “uma hora ou duas e derem lugar a
outras, as coisas correm bem”.O banhista
reconhece que, até ao momento, se tem sentido “em segurança” nas visitas
à praia, apesar de as pessoas se puderem cruzar mais em certas zonas,
como no acesso, onde normalmente coloca a máscara.“Por enquanto tem havido respeito, com o aumento do calor não sei, mas convém continuar a ter cuidado”, aconselhou.Paulo
Mendes veio hoje pela segunda vez à praia e reconheceu à Lusa que tinha
“algum receio por aquilo que via nas notícias”, frisando que “se
continuar assim não está mal”.“Quando
ontem [sexta-feira]vim surpreendi-me pela positiva, a maior parte das
pessoas está a respeitar, claro que há exceções, mas há os que têm a
sensibilidade de respeitar as distâncias e até usar máscara”, contou,
avançando que se alguém se aproximar sem mascara é ele o primeiro a
afastar-se.“Estou atento”, reconheceu,
explicando que tentar ter esse cuidado, e hoje, quando a maré começou a
encher e as pessoas viram que o espaço começou a ficar apertado
afastaram-se e saíram da praia.Sancho de
Mascarenhas observa o areal da praia das Avencas antes de descer as
escadas. Admitiu que a praia que normalmente frequenta na época balnear
pode este ano não ser a ideal.“A praia é
pequenina para as condições que estão a impor não é a melhor, mas para
mim já é tradição, venho na mesma, se achar que está demasiado cheia não
fico, mas sim em termos de dimensão é pequena e não é a melhor para a
altura”, explicou.Teresa Alves usa o
acesso da praia das Avencas para descer até ao lado esquerdo da praia,
que dá acesso à zona de pedras. Referiu à Lusa que anda mas um pouco
para ficar nas rochas da Parede já que é uma zona que não é muito
frequentada,.“Estou mais à vontade, há
menos agrupamento de pessoas. Não vão para lá crianças, nem pessoas
muito idosas. Estou lá um bocado, enquanto me sito bem, serve-me de
terapia”, disse, reconhecendo que quando começam a chegar mais pessoas
se vai embora.Com esta é a terceira vez
que vem à praia, e o dia em que ficou mais tempo, acrescentando, também
que foi o dia em que encontrou mais pessoas “em grupo e misturadas umas
com as outras”.De acordo com o plano de
desconfinamento e durante a época balnear, na utilização do areal das
praias estão "interditas atividades desportivas com duas ou mais
pessoas, exceto atividades náuticas, aulas de surf e desportos
similares".Na quinta-feira, o ministro do
Ambiente garantiu que “o acesso à praia é livre” e que o sinal vermelho,
que poderá ser colocado, é um aviso, mas não impede a entrada de
pessoas, embora o “incumprimento reiterado” possa levar ao encerramento.No
'briefing' do Conselho de Ministros, o ministro do Ambiente e da Ação
Climática, João Pedro Matos Fernandes, foi questionado sobre as regras
do acesso às praias devido à pandemia de covid-19 na época balnear.O
que ficará claro no decreto-lei que ainda não foi publicado, de acordo
com Matos Fernandes, é que “no caso de haver um incumprimento
reiterado”, ou seja, “um, dois, três dias seguidos” em que a lotação da
própria praia é ultrapassada, “por razões apenas de saúde pública, essa
praia poderá ser encerrada”.O ministro insistiu, por diversas vezes, que “o acesso à praia é livre”, mas “tem de ser feito com segurança.“O risco de contágio numa praia é igual ao de qualquer outro local no espaço público. Não há nenhum risco acrescido”, apontou.Portugal
contabiliza 1.302 mortos associados à covid-19 em 30.471 casos
confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral
da Saúde (DGS) sobre a pandemia.Portugal
entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia,
depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de
março.