Discurso do Estado da União 2023 prepara presidenciais dos EUA em 2024
7 de fev. de 2023, 08:22
— Lusa/AO Online
Biden
ainda não esclareceu se vai recandidatar-se, mas os analistas dizem que
a dúvida deverá ser dissipada nas próximas semanas, o que torna o
discurso do Estado da União, que será proferido às 21h00 (hora local em
Washington, 02h00 da madrugada de quarta-feira em Portugal continental, menos uma nos Açores),
uma oportunidade privilegiada para o líder explicar as suas prioridades
políticas, neste ou num eventual segundo mandato.Tradicionalmente,
o discurso do Estado da União serve para o Presidente apresentar a sua
agenda e para se diferenciar das ideias da oposição, sendo expectável
que Biden aproveite para criticar de novo a estratégia do Partido
Republicano para tentar impedir o aumento da dívida dos Estados Unidos,
arriscando a bloquear a ação do Governo.Mas,
a menos de dois anos de novas eleições presidenciais e poucos meses
depois das eleições intercalares, os líderes geralmente aproveitam
também para definir as linhas estratégicas de campanha, dando pistas
sobre o seu próprio futuro político.Um dos
pontos de atenção do discurso de Biden será a forma como ele se
referirá ao novo líder da maioria Republicana na Câmara de
Representantes, Kevin McCarthy, com quem o Presidente se terá de
entender nos próximos meses, se quiser evitar confrontos permanentes
entre a Casa Branca e o Congresso.McCarthy
apenas foi eleito após uma longa sequência de rondas de votação, com
sucessivas tentativas falhadas de conseguir uma maioria absoluta, o que
deixa a liderança da bancada Republicana refém de um grupo de membros
radicais, próximos do ex-Presidente Donald Trump.Na
política interna, Biden deverá aproveitar para falar dos tempos
pós-covid-19 – agora que a Casa Branca anunciou o fim do estado de
emergência em maio próximo – e do combate à inflação, que tem mostrado
sinais de abrandamento.O Presidente
Democrata deverá também abordar o seu ambicioso plano de investimento em
infraestruturas, que os Republicanos estão determinados em fazer
arrefecer, agora que possuem uma maioria na Câmara de Representantes.Na
política externa, Biden deve insistir no apoio a Kiev para resistir à
invasão russa, através de sucessivos pacotes de ajuda financeira e
militar, bem como nos desafios colocados pelo país que foi recentemente
considerado a principal ameaça à liderança económica mundial dos Estados
Unidos: a China.O recente episódio do
alegado balão espião chinês, que foi abatido este fim de semana, após
atravessar o território norte-americano, poderá servir para Biden
explicar a forma como pretende lidar com Pequim, com quem tem várias
frentes de negociação, desde o campo militar à guerra comercial.