Disciplina da Cidadania marca debate com ministro da Educação, com críticas à esquerda e saudações à direita
25 de out. de 2024, 12:42
— Lusa/AO Online
Apenas a bancada do PCP não
tocou neste tema, que entrou na agenda depois de o primeiro-ministro,
Luís Montenegro, ter afirmado no domingo no Congresso do PSD que o
Governo pretende na revisão desta disciplina “reforçar o cultivo dos
valores constitucionais” e libertá-la “das amarras a projetos
ideológicos ou de fação”, naquela que foi a passagem mais aplaudida do
seu discurso em Braga.Na resposta que foi
dando às várias bancadas, o ministro da Educação, Fernando Alexandre,
defendeu que “o ruído à esquerda e à direita” significa que a posição do
Governo é a da moderação e lamentou que não tenham sido valorizados
outros anúncios do primeiro-ministro no domínio das creches e
pré-escolar.“Não há nenhuma intenção de
retirar a disciplina do currículo e não há sequer – a menos que a
avaliação suscite a questão – a ideia de a disciplina passar a
opcional”, disse, repetindo uma ideia já expressa na segunda-feira.O
ministro reiterou ainda que a revisão curricular em curso de todas as
disciplinas já estava prevista e deverá estar concluída até abril, com
quaisquer alterações a entrarem em vigor no próximo ano letivo. “A
mensagem que gostava de deixar aqui é que os temas que são cobertos
nesta disciplina, incluindo a educação sexual e a identidade de género,
são muito importantes. Temos que ter uma formação dos alunos que
acompanhe os tempos e forme uma sociedade plural”, afirmou Fernando
Alexandre.Depois de, numa fase inicial do
debate, o vice-presidente da bancada do PS Miguel Costa Matos ter
acusado o Governo de estar a construir nas escolas “um passado bafiento”
e o PSD desvalorizar uma revisão curricular já prevista, a deputada do
Chega Manuela Tender defendeu que esta disciplina passa a ser
facultativa e que dela sejam retiradas as referências ao que chamou de
“ideologia de género”.Pelo CDS-PP, o líder
parlamentar Paulo Núncio saudou a posição do primeiro-ministro e
defendeu que esta disciplina deve servir “para ensinar e não doutrinar
as crianças”, considerando que não pode haver uma “imposição de
pensamento único” nas questões de género e sexualidade.Pela
IL, Patrícia Gilvaz lamentou que, “com todos os problemas do sistema
educativo”, o primeiro-ministro tenha escolhido “anunciar ao país que o
grande problema da educação em Portugal é a disciplina da Cidadania”. Na
mesma linha, Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, questionou “quais
são as amarras ideológicas” a que Luís Montenegro se referiu no
Congresso do PSD, com o ministro a repetir que não será o Governo a
definir o programa, embora possa fazer “uma intervenção política”,
depois da avaliação técnica.Filipa Pinto,
do Livre, considerou que “a palavra sexualidade parece deixar a
extrema-direita muito nervosa”, e questionou como irá ser feita
avaliação desta disciplina, já que não tem testes nem exames, enquanto a
porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, acusou o PSD de ir a reboque da
agenda do CDS-PP e do Chega.O debate teve
várias interpelações cruzadas, com o vice-presidente da mesa em
exercício, o socialista Marcos Perestrello, a ter de apelar à calma das
várias bancadas.Apenas o PCP, pela líder
parlamentar Paula Santos, optou por não abordar este tema, questionando o
ministro da Educação sobre temas como a precariedade na investigação
científica, as propinas ou o alojamento estudantil, matérias também
referidas pela maioria das bancadas.