Diretores não sabem se conseguirão afixar pautas dos exames na nova data
Hoje 12:12
— Lusa/AO Online
O
ministro da Educação Fernando Alexandre revelou hoje que ainda há “duas
ou três provas” dos exames nacionais do ensino secundário por entregar
aos professores avaliadores, tendo decidido adiar a data de divulgação
dos resultados de 14 para 17 de julho.“O
ministro admitiu que este projeto não começou bem. Eu diria que começou
mal e continua mal. Ainda há muitos ajustes para fazer na digitalização
das provas e na plataforma, que não funciona”, alertou o presidente da
Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas
Públicas (ANDAEP) em declarações à Lusa.Filinto
Lima considerou que foi "uma decisão prudente" adiar a afixação dos
resultados, mas deixou um alerta: "O dia D passou para dia 17, mas nesse
dia poderemos fazer a nossa parte que é afixar as pautas nas escolas?
Neste momento não sabemos. Nós queremos que isso aconteça, mas temos de
aguardar”.O também diretor de uma escola
de Vila Nova de Gaia sublinhou que “ainda há problemas e por isso o
Governo decidiu estender o prazo”.Nos
últimos dias, têm surgido centenas de relatos de professores que se
queixam de continuar sem receber os itens para avaliar, outros que não
conseguiam aceder ao portal onde estão as provas ou que tinham respostas
de alunos com folhas em falta.O
ministério anunciou hoje que os professores terão até 14 de julho para
classificar as provas (era até dia 10), e que os resultados serão
afixados a 17 de julho, em vez de 14 de julho. Também a segunda fase dos
exames, que deveria começar a 16 de julho, arranca apenas na tarde de
20 de julho e termina a 24 de julho, em vez de 22 de julho.Filinto
Lima reconheceu que a alteração das datas da 2.ª fase traz alguns
constrangimentos para o funcionamento das escolas, mas esse é “o menor
dos problemas”. “Nós estamos e estaremos
sempre do lado da solução. Nunca fomos problema e vamos ajudar para que
este adiamento também decorra da melhor forma possível”, garantiu,
lembrando que há sempre muito menos alunos inscritos na 2.ª fase.Para
a 1.ª fase dos exames nacionais inscreveram-se cerca de 166 mil alunos,
tendo sido realizadas mais de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos, que
este ano foram todas transportadas para Lisboa para serem digitalizadas.O
ministro da Educação justificou hoje as alterações ao calendário de
exames com as falhas no processo informático que levou a que alguns
docentes não tivessem ainda recebido as provas para avaliar, esperando
não ser preciso voltar a fazer ajustes.“Ainda
falta uma parte do processo que está a ser robustecido, mas há sempre
alguma incerteza. Mas o foco é cumprir o calendário, que foi concertado
com o EDUQA e o Júri Nacional de Exames (JNE), que ontem nos enviou uma
proposta por escrito. Discutimos com essas entidades e parece-nos que
esta é a melhor forma de garantir o tal rigor num processo de
avaliação”, disse Fernando Alexandre à margem de um evento em Guimarães.A
decisão de alterar o calendário foi anunciada hoje de manhã em
comunicado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), que
reconheceu “dificuldades informáticas” do processo de classificação
eletrónica.O novo calendário da segunda
fase dos exames será divulgado ainda hoje, segundo a tutela que
acrescenta que as candidaturas ao ensino superior deverão manter-se
inalteradas, ou seja, arrancam a 20 de julho.Na
nota hoje divulgada, o MECI lamentava já “eventuais transtornos” na
vida dos alunos, das suas famílias, dos professores classificadores e
das escolas.