Diretores alertam que docentes sem horário estão a trabalhar
Covid-19
2 de dez. de 2020, 17:05
— Lusa/AO Online
“Tomara
a maioria de nós ter professores em número suficiente para ajudar na
escola”, disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes
Escolares (ANDE) e também diretor do Agrupamento de Escolas General
Serpa Pinto, em Cinfães, onde garante não ter professores sem componente
letiva. Manuel Pereira reconhece que
existem escolas no país com professores sem componente letiva - como é o
caso de estabelecimentos em Bragança, Viseu, Vila Real ou Chaves - mas
lembra que a maioria desses docentes está a trabalhar.A
informação é corroborada por Filinto Lima, presidente da Associação
Nacional de Diretores e Escolas Públicas (ANDAEP): “Estes professores
estão a fazer coadjuvações, a dar apoios individuais a alunos ou estão
envolvidos em projetos. Como não têm turma atribuída não têm componente
letiva, mas estão a trabalhar”. O Governo
publicou na sexta-feira um despacho que veio permitir a mobilização de
professores sem horário para reforçar as equipas de rastreios de
contactos de doentes com covid-19, tal como tinha sido anunciado pelo
primeiro-ministro há cerca de um mês.Os
professores fazem parte do grupo de funcionários públicos que poderão
ser chamados para seguir pessoas em vigilância ativa e realizar
inquéritos epidemiológicos.Segundo o
diploma, cabe às escolas indicar quem são os professores que estão sem
componente letiva, sendo depois as autoridades de saúde a selecionar e
contactar os escolhidos.Filinto Lima diz que o irão fazer, mas alerta que é preciso dar formação prévia para que possam exercer as novas tarefas.O
diploma publicado na sexta-feira define que os professores terão
formação fornecida pelas Autoridades de Saúde Nacional e Regional.
Filinto Lima sublinha que "não pode ser uma formação a vapor”.Os
docentes selecionados serão “sempre coordenados por um profissional da
área da saúde pública”, segundo o despacho publicado na sexta-feira.Os
professores vão receber também “formulários, orientações e guias de
inquéritos epidemiológicos, bem como os equipamentos necessários ao
desenvolvimento das atividades, para rastreio de contactos de doentes
com covid-19 e seguimento de pessoas em vigilância ativa”.Os
docentes com formação na área da saúde serão os primeiros a ser
escolhidos para realizar os inquéritos epidemiológicos e o rastreio de
contactos de doentes. Os restantes docentes serão mais direcionados para
o seguimento de pessoas em vigilância ativa, refere o diploma.O
documento salvaguarda que os professores selecionados irão manter todos
os direitos e "não podem ser prejudicados no desenvolvimento da sua
carreira”. A decisão de recorrer a
funcionários públicos para atenuar a pressão nos sistemas de saúde foi
anunciada no início de novembro por António Costa.O
primeiro-ministro disse que seriam mobilizadas "pessoas do setor
público que estão em isolamento profilático, trabalhadores do grupo de
risco, professores sem componente letiva atribuída, além de militares
das Forças Armadas".Na altura, segundo
números avançados por António Costa, estavam identificados 915
funcionários públicos, aos quais acresciam "128 docentes sem componente
letiva atribuída" que poderiam ser chamados para o rastreamento e de
vigilância.No mesmo dia, a Federação
Nacional dos Professores (Fenprof) criticou a medida e a falta de
diálogo sobre as tarefas a desempenhar pelos professores sem componente
letiva."O Governo não negociou ou, sequer,
dialogou com os sindicatos sobre que atividade se pretende atribuir aos
docentes", criticou a federação em comunicado."Quem
são estes professores sem componente letiva, os que, eventualmente,
ainda se encontrem em situação de ´horário-zero´, os que não têm
componente letiva atribuída por razões de doença, ou os que estão em
casa por integrarem grupo de risco, impedidos de desenvolverem
teletrabalho", disse a Fenprof em comunicado.