Diretores admitem exames do secundário só em setembro
Covid-19
24 de mar. de 2020, 17:24
— Lusa/AO Online
As escolas estão encerradas há uma semana, as
aulas são à distância e todos os dados apontam para que assim continue
devido a propagação da covid-19, cujo pico da doença deverá ocorrer
depois de 14 de abril, afirmou hoje o Presidente da República depois de
uma reunião com especialistas.Entre
professores e alunos permanece a dúvida se as provas e os exames se irão
realizar nas datas previstas, mas a resposta a possíveis alterações só
chegará depois das férias da Páscoa, avisou esta semana o ministro da
Educação.A Lusa falou com os presidentes
das duas associações de diretores escolares que são unânimes em dizer
que é preciso esperar até 9 de abril. Até lá, “só se pode falar em
possíveis cenários”, explicou o presidente da Associação Nacional de
Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, em declarações à Lusa.No
entanto, Manuel Pereira considera que “não faz sentido pensar em provas
de aferição”, que este ano estão marcadas para arrancar no início de
maio para os alunos do 2.º ano.A ideia é
corroborada por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de
Diretores e Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP): “Não quero
desprezar nenhuma prova, mas a verdade é que se suspenderem não virá mal
ao mundo”, disse à Lusa.Filinto Lima
lembrou que as provas de aferição “envolvem uma logística administrativa
muito complicada”, uma vez que são realizadas anualmente pelos alunos
do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade. Estes testes não contam para a
nota final e têm como objetivo detetar eventuais dificuldades na
aprendizagem.Também os exames do 9.º ano,
que contam para a nota final, podem ser suspensos este ano, tendo em
conta a situação que o país está a viver, defenderam os dois
responsáveis em declarações à Lusa.“Nós
temos de salvaguardar os exames essenciais, que são os de acesso ao
ensino superior”, afirmou Filinto Lima, referindo-se às provas dos
alunos do 11.º e 12.º anos de escolaridade.O
presidente da ANADEP disse que “não se deve excluir a hipótese de estas
provas serem realizadas em setembro”, dando assim tempo aos alunos e às
escolas para se prepararem.“Este é um ano
atípico”, corrobora Manuel Pereira, sublinhando que o mais importante
neste processo é “tentar garantir a equidade e igualdade dos alunos” no
acesso ao ensino superior.Começar o próximo ano letivo mais tarde poderá ser outro dos efeitos do encerramento das escolas e do ensino à distância.Neste
momento, o calendário escolar mantêm-se tal como definido, ou seja, o
3.º período deverá começar dentro de duas semanas e meia e terminar no
início de junho para a maioria dos alunos, com exceção do 1.º ciclo que
acaba em meados de junho.