Diretora-geral do FMI alerta para 'Grande Divergência' em 2021
UE/Presidência
22 de fev. de 2021, 15:34
— Lusa/AO Online
Num
discurso no âmbito da Semana Parlamentar Europeia, coorganizada pelo
Parlamento Europeu e pela Assembleia da República, no quadro da dimensão
parlamentar da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia
(UE), Kristalina Georgieva admitiu que a sua "maior preocupação" para
2021 é que "o 'Grande Confinamento' de 2020 se tranforme numa 'Grande
Divergência' em 2021"."A divergência é
mais profunda no mundo em desenvolvimento, onde metade dos países que
normalmente costumavam acelerar os níveis de rendimentos para os níveis
dos seus pares mais ricos estão agora a ficar para trás. Mas é um risco
também para a UE", disse a responsável búlgara no discurso realizado a
partir de Washington, por videoconferência.Apesar
de o FMI estar a prever uma recuperação económica mundial de 5,5% e de
4,2% para a União Europeia, "o caminho para a recuperação é altamente
incerto e, mais importante, desequilibrado", afirmou Kristalina
Georgieva."É incerto por causa da atual
corrida entre o vírus e as vacinas. Desequilibrado por causa da
diferença das posições de partida, estruturas económicas e capacidade de
responder - causando um crescimento de desigualdades tanto entre como
dentro dos países", afirmou a economista responsável pelo FMI.A
diretora-geral salientou que, por exemplo, "os tradicionais destinos
turísticos experimentaram contrações muito mais agudas - mais de 9% em
Espanha, Grécia e Itália - comparando com uma contração média de 6,4% na
UE".Além disso, o FMI aponta para que no
final de 2022 "o rendimento 'per capita' dos mercados emergentes da
Europa Central e da Europa de Leste estarão 3,8% abaixo das projeções
pré-crise, comparado com uma queda de 1,3% das economias avançadas da UE
- um impacto negativo quase três vezes maior que abrandará o ritmo de
convergência", assinalou Georgieva.Dentro
dos países, a diretora-geral do FMI também observa "aumentos de
divergência", com "as regiões com PIB [Produto Interno Bruto] mais baixo
a entrar na crise com menor produtividade, maiores setores de grande
contacto, e menos empregos que permitem o trabalho remoto", com impacto
em milhões de pessoas, "com as mulheres e os jovens a sofrer mais,
especialmente aqueles com menores rendimentos e poupanças".Assim,
a responsável da instituição sediada em Washington elencou três tipos
de questões fundamentais que os decisores políticos enfrentam: a crise
de saúde, a crise económica e mudanças estruturais para a digitalização e
ecologia."Até derrotarmos a pandemia em
todo o lado, arriscamos novas mutações que ameaçam o nosso progresso",
disse Kristalina Georgieva sobre a saúde, pelo que "aumentar a produção e
a distribuição de vacinas é crítico".Sobre
a crise económica, a responsável - que já tinha saudado no discurso a
resposta das instituições europeias, em particular do Banco Central
Europeu (BCE) - disse que o apoio a famílias e empresas deve continuar
"até à pandemia estar derrotada"."Uma
retirada gradual deve seguir-se, e não preceder, uma saída duradoura da
crise de saúde", algo que "interessa internamente" aos países mas também
"em termos de contágios", já que uma retirada antes do tempo "poderia
exacerbar a divergência entre países".Sobre
a digitalização e ecologia, Georgieva afirmou que é necessário "um
'empurrão' coordenado de investimento em infraestruturas 'verdes'", com o
FMI a apontar para um aumento anual do PIB mundial de 0,7% durante 15
anos.A responsável sugeriu ainda a taxação
das emissões de dióxido de carbono, a melhoria ao "acesso a internet de
alta velocidade nas zonas rurais e subdesenvolvidas", o investimento na
educação e formação profissional, e ainda abordou a conclusão da união
bancária e de mercados de capitais na UE e a taxação das empresas
"adequada à era digital", para cortar desigualdades.