Diretora-geral da Saúde assegura que votação de eleitores em isolamento “é um ato seguro”
Covid-19
19 de jan. de 2022, 14:33
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa no Ministério da Administração Interna, na qual
estiveram também presentes a ministra Francisca Van Dunem, e o
secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís,
para a apresentação do parecer sobre esta matéria pedido ao Conselho
Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), Graça Freitas
lembrou que os cidadãos em isolamento profilático já tinham de sair para
fazer testes.“Os cidadãos que estão em
isolamento, nomeadamente os contactos de risco, têm de sair do
isolamento para fazer testes e esse é um movimento seguro. Se as pessoas
cumprirem as regras e usarem as medidas de proteção individual, estes
atos são seguros. A saída é exclusivamente para exercer o seu direito de
voto. É um ato seguro”, frisou, salientando que estes eleitores “devem
ir em viatura própria ou a pé” para o local de voto. Segundo
a diretora-geral da Saúde, “o grande objetivo é mitigar ao máximo o
encontro entre pessoas que possam transmitir a doença e outras que
estejam suscetíveis”, pelo que valorizou a indicação de um horário
específico de voto para as pessoas em isolamento. Porém, esclareceu que
esse intervalo de tempo – apontado por Francisca Van Dunem para “a
última hora, entre as seis e as sete (da tarde)" - não é exclusivo para
os eleitores em isolamento.“Não é
impeditivo que alguém que queira ir exercer o seu direito de voto
naquele horário também o faça. Os portugueses têm dado ao longo das
outras eleições nestes dois anos sinais de grande maturidade em aplicar
regras e recomendações. Cremos que esta solução de haver um horário
dedicado para estas pessoas irem votar, sem prejuízo de que outras o
possam fazer, vai permitir uma segregação de circuitos, minimizando o
risco de contágio”, explicou.Graça Freitas
sublinhou ainda que os cidadãos a trabalhar nas mesas de voto “estarão
com equipamento de proteção individual reforçado, se assim o
entenderem”, com destaque para bata e máscara cirúrgica ou FP2.“É
uma questão de os cidadãos se organizarem e de se apresentarem ao
processo. Uma vez apresentados ao processo eleitoral, todos terão de
cumprir as regras”, notou, relembrando a obrigação de uso de máscara,
higienização das mãos e manutenção do distanciamento.Questionada
sobre o número de pessoas que se estima estarem em isolamento no dia 30
de janeiro, a diretora-geral da Saúde assumiu não ter uma ideia clara,
face à continuação de “uma tendência crescente” na pandemia, mas
reiterou que “estão criadas todas as condições” e que uma parte dessa
população também não terá ainda idade mínima legal para votar.“Estimando
à data de hoje que possam estar 600 mil pessoas infetadas ou em
isolamento profilático, temos de pensar que muitas destas pessoas não
estão elegíveis para votação, porque não têm idade para votar. Portanto,
será um número que ainda conta com a abstenção na população em geral”,
resumiu a responsável pela autoridade de saúde sobre as eleições
legislativas antecipadas de 30 de janeiro.À
margem deste tema, Graça Freitas escusou-se a comentar o caso da morte
de uma criança de 6 anos no Hospital de Santa Maria, no passado domingo.
O menino, que apresentava um teste com resultado positivo à Covid-19 e a
primeira dose da vacina, deu entrada no hospital no último sábado com
paragem cardiorrespiratória.A autópsia à
criança está concluída, mas são necessários exames complementares, cujas
conclusões só deverão ser conhecidas dentro de um mês, segundo o
Instituto Nacional de Medicina Legal.