Diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras demite-se do cargo
9 de dez. de 2020, 17:45
— Lusa/AO Online
Cristina Gatões
assumiu a liderança do SEF a 16 de janeiro de 2019, em substituição de
Carlos Moreira, que saiu por motivos pessoais e a sua saída, segundo uma
nota do Ministério da Administração Interna (MAI), coincide com um
processo de restruturação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. No
mandato de Cristina Gatões, três inspetores do SEF foram acusados de
envolvimento na morte de um cidadão ucraniano, nas instalações do
serviço no aeroporto de Lisboa, a quem agrediram violentamente e que deu
origem à demissão do diretor e do subdiretor de Fronteiras do
aeroporto.Licenciada em Direito pela
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Cristina Gatões é
inspetora coordenadora superior da Carreira de Investigação e
Fiscalização do SEF.O processo de
reestruturação do SEF deverá estar concluído no primeiro semestre de
2021 e será coordenado pelos diretores nacionais adjuntos José Luís do
Rosário Barão – que agora assume o cargo de diretor em regime de
substituição - e Fernando Parreiral da Silva.Na
mesma nota, o MAI dá conta que o trabalho conjunto entre as Forças e
Serviços de Segurança para a redefinição do exercício das funções
policiais na gestão de fronteiras e no combate às redes de tráfico
humano se começar imediatamente e lembra que o programa do Governo prevê
estabelecer “uma separação orgânica muito clara entre as funções
policiais e as funções administrativas de autorização e documentação de
imigrantes".O ministério pretende também reforçar a sua intervenção estratégica nos domínios do asilo e da gestão das migrações.Na terça-feira, o PSD exigiu ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, "mudanças estruturais" no SEF.Esta
posição surge sobretudo em consequência da reação da cúpula do SEF ao
caso da morte de Ihor Homenyuk, pela qual já foram acusados três
inspetores de homicídio qualificado.A 16 de novembro, Cristina Gatões admitiu que a morte do cidadão ucraniano resultou de "uma situação de tortura evidente".Quando
questionada pela RTP sobre se tinha posto o lugar à disposição do
ministro da Administração Interna, que tutela o SEF, ou se tinha pensado
demitir-se, Cristina Gatões disse que "não".Na
sequência de um inquérito aberto pela Inspeção-Geral da Administração
Interna foram instaurados oito processos disciplinares a elementos do
SEF.