Diretora do FMI alerta para risco de abrandamento da expansão da economia mundial
24 de out. de 2024, 17:17
— Lusa/AO Online
“Estes são
tempos de ansiedade”, apontou, citada pela Associated Press, a
diretora-geral do FMI aos jornalistas nos encontros de outono da
instituição que lidera e do Banco Mundial.A responsável apelidou de “anémica” a previsão de que a economia mundial cresça 3,2%.Num
contexto de conflitos e de tensão geopolítica crescente, o comércio
mundial perde fulgor, ao mesmo tempo que as relações entre Estados
Unidos da América e China, as duas maiores economias mundiais,
arrefeceram.“O comércio já não é o
poderoso motor de crescimento”, afirmou, acrescentando que atualmente há
“uma economia global mais fragmentada”. A
AP assinala ainda que um elevado número de países continua a enfrentar
as dívidas que contraiu para combater a covid-19, sendo que o FMI
acredita que a dívida global atinja 100 biliões de dólares (95.580
milhões de euros) este ano, o equivalente a 93% do Produto Interno Bruto
(PIB) mundial.“A economia mundial corre o
risco de ficar presa numa trajetória de baixo crescimento e dívida
elevada”, apontou, sublinhando que tal se traduz em “rendimentos mais
baixos e menos postos de trabalho”. Ainda
assim, o FMI regista que o mundo fez progressos consideráveis para
controlar a inflação que subiu em 2021 e 2022, quando as economias se
agitaram de forma inesperada dos bloqueios da pandemia.Kristalina
Georgieva antecipa que a inflação desça para 2% no próximo ano para as
economias desenvolvidas, o objetivo dos bancos centrais.“Para grande parte do mundo, está à vista uma aterragem suave”, apontou.No
seu mais recente relatório sobre as perspetivas económicas mundiais,
publicado na terça-feira, o FMI previu que a economia chinesa cresça
4,8% este ano e 4,5% em 2025, contra 5,2% em 2023.Assim,
a diretora do FMI instou o executivo chinês a abandonar a dependência
das exportações e a incentivar o consumo interno, que apelidou de “mais
fiável”.Kristalina Georgieva pediu a
adoção de “medidas incisivas” para dar reposta ao colapso do mercado
imobiliário chinês e, assim, aumentar a confiança dos consumidores.“Se a China não agir, o potencial de crescimento pode ficar bem abaixo de 4%”, vaticinou.