Diretor nacional da PSP acredita que polícias vão cumprir "importante missão"
JMJ
21 de jun. de 2023, 08:37
— Lusa/AO Online
“Tenho
a certeza de que, tal como aconteceu em circunstâncias anteriores, os
polícias saberão exercer o seu legítimo direito ao descontentamento, mas
que nunca porão em causa a importante missão. E os polícias têm muito
presente a importante missão que vão cumprir. As duas coisas não são
inconciliáveis”, disse Magina da Silva, à margem do 149.º aniversário do
Comando Distrital da PSP de Leiria, assinalado no Pombal.Confrontado
com os protestos anunciados por várias categorias profissionais para o
período em que se realiza a JMJ, o diretor nacional afirmou que “o
protesto de todas as classes profissionais, incluindo os polícias, é um
direito constitucional”. “Tem um quadro
legal para ser exercido, neste caso a lei sindical aplicável à Polícia
de Segurança Pública. Problemas temos muitos, é uma organização
complexa, que tem uma multiplicidade enorme de funções, tarefas e,
portanto, é uma organização, como todas as grandes e importantes
organizações, com muitos problemas que não são de resolução imediata”,
sublinhou.Sobre as ajudas de custo
previstas para os agentes que estarão envolvidos na segurança da JMJ,
Magina da Silva reiterou que os agentes vão receber a 100% um apoio
“para suportar os custos da missão que vão desempenhar, os que vêm de
fora e que vão ficar colocados em Lisboa”. “Isso
corresponde 43,39 euros, que são as ajudas de custo correspondentes ao
oficial, subcomissário e comissário, uma vez que o regime das ajudas de
custo prevê que sejam pagos pelo montante do elemento mais graduado que
estiver a fazer as mesmas funções no terreno, que é o caso”, adiantou.O
diretor nacional explicou que “os polícias terão de suportar as
despesas associadas ao alojamento e alimentação, alojamento esse que, no
caso de ser dos serviços sociais da PSP, corresponderá no máximo a 5
euros por dia”.“Sendo seis dias, são 30
euros, numa semana, que vão gastar. Uma gentileza do comité organizador
local (a Igreja portuguesa) foi-nos disponibilizado – e muito
agradecemos - o fornecimento gratuito de duas refeições por dia, almoço e
jantar, aos polícias que estiverem no local dos eventos”, acrescentou.Magina
da Silva revelou que o primeiro critério para recrutar agentes para o
evento foi o voluntariado e depois a nomeação, assumindo que cerca de
50% dos polícias se voluntariaram para sair do conforto do seu lar e
participarem em mais um desafio.Quatro
sindicatos da PSP decidiram hoje unir-se num protesto durante a visita
do Papa por ocasião da JMJ, com ações de rua para mostrar que os
polícias estão descontentes por o Governo não respeitar as suas
reivindicações.O presidente do Sindicato
dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP), Paulo Macedo, adiantou à agência
Lusa que a estrutura convidou todos os sindicatos da PSP para unir
esforços para demonstrar a luta dos polícias por melhores condições de
trabalho e remuneratórias, mas o convite só foi aceite pelo Sindicato
Independente dos Agentes de Polícia (SIAP), pelo Sindicato Nacional de
Polícia (Sinapol) e pelo Sindicato Nacional da Carreira de Chefes
(SNCC).Por comparecer ficaram a Associação
Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) – o maior do setor - e
o Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP).De
acordo com Paulo Macedo, “houve uma união de posições” para marcar
ações de rua com concentrações de protesto em locais da cidade de Lisboa
por onde o Papa Francisco irá passar, no seu encontro com os jovens em
Lisboa de 02 a 06 de agosto.Uma outra forma de protesto promete ser “inovadora”, mas por enquanto ainda está em segredo, só sendo revelada no final do mês.A
decisão de ações de protesto durante a visita do Papa a Portugal
servirá para mostrar, nas palavras de Paulo Macedo, a forma como o
Governo português trata os seus polícias.O
ministro da Administração Interna disse que respeita “o direito de
manifestação” dos polícias previsto para a JMJ, mas garantiu que
Portugal vai responder “às exigências de segurança” do encontro.José
Luís Carneiro sublinhou que “já reuniu várias vezes” com os sindicatos
da PSP e associações da GNR, considerando que esse diálogo “tem sido
muito construtivo” e já “foram encontradas soluções e outras estão em
sede negocial”.