Diretor-geral da OMS critica "falta de vontade política" para acabar com pandemia
Covid-19
11 de nov. de 2021, 17:41
— Lusa/AO Online
Tedros
Ghebreysus, que participou num painel de discussão no Fórum para a Paz
em Paris, sublinhou que "África, em particular, é o continente mais
afetado pela distribuição desigual" de vacinas contra a Covid-19, com
apenas 5% da sua população coberta. O
número contrasta com as taxas de cobertura dos países membros do G20,
que já inocularam mais de 80% das vacinas anti-covid-19 ministradas em
todo o mundo. O diretor-geral da OMS
considerou esta desigualdade "condenável" de um ponto de vista moral,
mas também devido às consequências epidemiológicas e económicas."É
algo que precisa de ser resolvido", disse Tedros Ghebreysus, que apelou
aos governos que têm muitas vacinas para as partilharem, por forma a se
alcançar o objetivo de 40% de cobertura da população mundial até ao
final deste ano e 70% até meados de 2022. O
responsável da OMS advertiu que, se a tendência atual se mantiver,
haverá cerca de 80 países em todo o mundo que não atingirão uma
cobertura de 40% até ao final de 2021. Ghebreysus
sublinhou que, após vários meses em que a pandemia parecia estar a
diminuir, há um aumento dos casos e a incidência e o número de mortes é
agora novamente muito elevado, com cerca de 7.000 mortes por dia."Nenhum
país conseguirá, por si só, pôr fim a esta pandemia", repetiu o chefe
da OMS, que também aproveitou a oportunidade para apelar à generalização
da cobertura universal dos cuidados de saúde, o que, na sua opinião,
permitiria, entre outras coisas, evitar futuros surtos epidémicos. O
presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que participou na mesma
mesa redonda, assegurou que a União Europeia (UE) “está totalmente
empenhada em resolver a injustiça" do acesso desigual às vacinas em
diferentes partes do mundo. Michel disse
que, nos últimos dias, os membros da EU adicionaram 200 milhões de doses
ao dispositivo Covax, criado para garantir a distribuição de vacinas
anti-covid-19 aos países mais pobres.