Diretor do SNS admite que não será possível eliminar listas de espera por falta de profissionais
Hoje 15:14
— Lusa/AO Online
“Como não há médicos e não há
enfermeiros em números suficientes, não conseguiremos aumentar a
produção tanto quanto seria necessário para eliminar as listas de
espera. Essa é uma realidade que nós temos que reconhecer”, disse Álvaro
Almeida na comissão parlamentar da Saúde, em resposta a críticas sobre a
insuficiência dos aumentos de 1% nas consultas e 3% nas cirurgias
previstos para este ano.Álvaro Almeida,
que foi ouvido a pedido do PS “sobre instruções da Direção Executiva do
SNS relativas à contenção da produção assistencial em 2026 e às
restrições de recursos financeiros e humanos”, admitiu ainda que não
será possível, a curto prazo, atribuir médico de família a toda a
população.Observou que, apesar de se ter
registado, “em fevereiro ou em março de 2026, o maior número de utentes
com médico de família desde há muitos anos”, continua a aumentar o
número de utentes. “Apesar de neste
momento o SNS ter uma capacidade de resposta em quantidade e qualidade
como nunca teve, o facto é que, provavelmente, precisaríamos de aumentar
ainda mais essa capacidade de resposta para responder às necessidades
da população que crescem muito rapidamente”, salientou. O
responsável reforçou que o SNS contrata todos os médicos especialistas
que queiram trabalhar no SNS, estando a valorizar as carreiras para
poder tornar mais atrativo o Serviço Nacional de Saúde, mas o problema é
a escassez de profissionais que afeta todos os sistemas de saúde
europeus.Na audição, a deputada Cristina
Esteves (Chega) alertou para o crescimento das listas de espera, citando
que apenas 48,6% das consultas e 68,6% das cirurgias respeitam os
tempos máximos de resposta garantidos. Defendeu que para combater
efetivamente as listas de espera seriam necessários aumentos de 10 a 15%
nas consultas e 8 a 12% nas cirurgias, metas que disse que não vão ser
atingidas.Em resposta, o diretor executivo
do SNS admitiu que esse cenário não é possível. “Será provavelmente
qualquer coisa desse género, [mas] isso não é possível”: "As listas de
espera são algo com que vamos ter que viver e o nosso esforço tem de ser
– e é nisso que estamos empenhados – evitar o seu aumento”.Segundo
Álvaro Almeida, o quadro global de referência para 2026 prevê a
estabilização das listas de espera para consultas e uma ligeira melhoria
nas cirurgias, impulsionada pela introdução do Sistema Nacional de
Acesso a Consulta e Cirurgia (SINAC), que começará pela área cirúrgica. “Na
consulta será mais difícil, porque faltam recursos assistenciais. Não
porque foram impostas limitações, mas porque o sistema não dispõe de
profissionais suficientes”, reforçou.Apontou
ainda como exemplo da maior pressão sobre o SNS, o consumo de
medicamentos que cresceu cerca de 6% em 2025, refletindo um aumento
equivalente nas necessidades de tratamento da população.“Mas
a procura está a aumentar muito porque o número de utentes está a
aumentar muito, sobretudo, porque a população está a aumentar, mas
também está a aumentar porque estamos a investir em rastreios que
permitem identificar mais precocemente as necessidades da população”,
declarou.O diretor executivo destacou
ainda medidas estruturais que visam aumentar a capacidade e a qualidade
do SNS, mesmo sem eliminar as listas de espera, nomeadamente rastreios e
prevenção, hospitalização domiciliária, reforço da rede nacional de
cuidados continuados integrados e maior eficiência na utilização de
recursos.