Diretor de Liga de Clubes acredita que centralização vai melhorar tempo útil de jogo
23 de set. de 2022, 11:17
— Lusa/AO Online
O
dirigente abordou o tema numa das mesas de debate da 5.ª edição do
World Scouting Congress, evento realizado no Porto, que junta vários
intervenientes na indústria do futebol, nomeadamente treinadores,
jogadores, elementos de clubes, empresários e agentes.“A
centralização dos direitos [televisivos] irá responsabilizar todos para
que o produto futebol profissional em Portugal seja melhor. Sinto que
há uma preocupação generalizada para se debater e resolver esta questão,
e até os adeptos devem ser trazidos a este debate, para que haja mais
exigência externa”, disse Tiago Madureira.O
diretor executivo da LPFP apontou que a discussão sobre o tempo útil de
jogo “é premente”, lembrando que “impacta diretamente na forma como as
pessoas consumem futebol”.“Como espetáculo
que é, serve para entreter e quanto mais dinâmico for, mais amarra o
público. Um jogo parado não entretém ninguém. Já há estudos que dizem
que as gerações abaixo dos 30 anos não conseguem estar a ver um jogo
durante 90 minutos”, disse o dirigente.Tiago
Madureira considerou que “não há culpados isolados nesta questão do
tempo útil de jogo”, notando que é um “tema que envolve treinadores,
jogadores, clubes, pois todos têm uma quota-parte de responsabilidade”.A
ideia foi partilhada pelo treinador de futebol Pedro Martins, que
recentemente deixou o comando dos gregos do Olympiacos e não hesitou em
falar “numa questão cultural”.“Na Grécia
[o tempo útil] ainda é pior que em Portugal. É algo cultural que está
enraizada em vários países. Uma das formas de alterar é ter debates
abertos de partilha, mas não sei se será possível resolver, porque temos
de mudar muitas mentalidades. Talvez seja até preciso mudar as regras”,
analisou o técnico.Já Armando
Evangelista, atual treinador do Arouca, da I Liga portuguesa, que também
participou nesta iniciativa, considerou o debate sobre o tema profícuo,
mas introduziu uma outra perspetiva.“Temos
de aumentar o tempo útil, mas não podemos deixar de olhar para essência
do futebol e o seu fator imprevisível, em que o último classificado
pode ganhar ao primeiro. A maioria dos adeptos valoriza mais o resultado
do que o espetáculo”, lembrou o treinador.