Diretor da Ryanair aponta a "cortes selvagens" na operação em Portugal
21 de ago. de 2020, 07:52
— Lusa/AO Online
"Estamos a enfrentar tempos muito incertos, e
há uma perspetiva bem real de cortes selvagens em Portugal este inverno
em todas as nossas bases, em termos de capacidade e em termos de
aviões", disse à Lusa Darrell Hughes, diretor de Recursos Humanos da
Ryanair, numa entrevista por telefone.Instado
a concretizar e a dar números, o responsável da companhia aérea
irlandesa de baixo custo referiu que "há a possibilidade de cortes
selvagens em qualquer lado" na operação da empresa na Europa, remetendo
para o anúncio feito na segunda-feira de que a empresa iria cortar 20%
do seu horário planeado para setembro e outubro."Quaisquer
previsões de agora para o inverno estarão provavelmente erradas.
Estamos a manter tudo debaixo de um grande escrutínio, mas teremos muito
menos voos do que tivemos no último inverno, isso é certo", referiu o
responsável, considerando que seria "especulação" estar a tentar prever
números quanto às reduções."O número que
ainda temos que apurar é precisamente onde é que os cortes cairão, mas
certamente esperamos que alguns desses cortes sejam em Portugal",
referiu, o responsável.Darrell Hughes
lembrou que a empresa tem um acordo com os pilotos "para manter as
pessoas empregadas, o que pelo menos lhes dá alguma proteção", mas
afirmou que a empresa "não está em modo de recrutamento", mas sim "em
modo de sobrevivência e reconstrução".O
diretor da Ryanair disse ainda que, tal como a empresa já tinha
adiantado à Lusa, não planeia "usar nenhum pessoal da Crewlink no
inverno", numa referência à empresa de trabalho temporário que opera há
mais de 10 anos em Portugal e tem como único cliente a Ryanair.A
companhia aérea irlandesa Ryanair anunciou na segunda-feira uma redução
de 20% do número de voos em setembro e outubro, apontando uma baixa nas
reservas devido a um aumento de casos de covid-19 na Europa.A
Ryanair, que até agora tinha previsto voltar a 70% da sua capacidade em
setembro, explica em comunicado ter de reduzir os voos previstos,
nomeadamente para França e para Espanha, dois países incluídos na
quarentena imposta pelo Governo britânico.Em
comunicado, a companhia explicou que as reduções passam, sobretudo, por
uma menor frequência de voos e não por interrupções do serviço."A
queda na capacidade e frequência dos voos nos meses de setembro e
outubro são inevitáveis tendo em conta a recente redução das reservas na
sequência das restrições adotadas em alguns países europeus", referiu
um porta-voz da Ryanair citado no comunicado.