Diretor da PSP dececionado com agentes suspeitos do crime de tortura
11 de jul. de 2025, 15:40
— Lusa/AO Online
“Ninguém
gosta de alegações nas instituições que serve, porque os 20.000 polícias
que temos dão o seu melhor todos os dias (…) e um só caso já é mau. Um
só caso não agrada a ninguém, não agrada ao diretor nacional da PSP, a
nenhum dos polícias, nem às instituições que trabalham connosco, mas a
vida em sociedade é assim. É por isso que temos leis, Constituição,
autoridades policiais e judiciárias e nós, em termos de credibilidade,
temos um rigoroso controlo interno. Ao mesmo tempo fico - como é natural
- dececionado que possa haver um caso, mas é sinal que as instituições
estão a funcionar”, disse Luís Carrilho.O
diretor da Polícia de Segurança Pública, que falava aos jornalistas à
margem das celebrações do 87º aniversário da Polícia Municipal do Porto,
recusou-se a comentar o caso em específico por estar em segredo de
justiça e considerou ser necessário deixar agora as instituições
funcionar e fazer o seu trabalho de investigação. “De
uma forma geral posso dizer que sempre que há indícios que correspondam
à prática [de crime] - seja de policias ou não - a nossa lealdade é à
lei e à Constituição da República”, disse, garantindo que “a população
portuguesa e quem vive em Portugal pode continuar a contar e confiar na
PSP”.Dois agentes da PSP foram detidos na
quinta-feira na sequência de buscas feitas pelo Ministério Público (MP)
por suspeitas do crime de tortura, ofensas à integridade física
qualificadas, peculato e falsificações.Segundo a Procuradoria-Geral da República, foi a própria PSP que denunciou os factos em investigação ao MP.Luís
Carrilho afirmou ainda que a PSP “tudo fará sempre” para que haja o
melhor controlo interno e institucional, frisando que a polícia é “uma
instituição que ao nível interno disciplinar e da hierarquia” tem “um
controlo muito forte”, bem como ao nível externo, nomeadamente pelas
autoridades judiciais, e também a nível de controlo informal, como a
comunicação social e toda a população.As
buscas de quinta-feira decorreram em algumas esquadras da primeira
Divisão Policial de Lisboa, tendo fonte policial indicado à Lusa que
aconteceram, pelo menos, nas esquadras do Bairro Alto e do Rato.Além das buscas feitas nas esquadras, o Ministério Público fez também buscas domiciliárias. Contacto pela Lusa, o Ministério da Administração Interna indicou que não vai fazer qualquer comentário sobre as buscas.