Diretor da OMS critica ordem de evacuação da Cidade de Gaza e promete ficar
Médio Oriente
11 de set. de 2025, 17:02
— Lusa/AO Online
“A OMS está
consternada com a última ordem de evacuação [da Cidade de Gaza], que
exige que um milhão de pessoas se desloquem para a chamada ‘zona
humanitária’, no sul, designada por Israel”, disse o diretor-geral da
OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.“A
área não tem a dimensão ou o tipo de serviços necessários para apoiar
os que já lá estão, muito menos os recém-chegados. Isto inclui a
proteção da saúde”, observou, antes de destacar que “quase metade de
todos os hospitais em funcionamento [na Faixa de Gaza] está na Cidade de
Gaza”.Isso “inclui 36% de todas as camas hospitalares e 50% das camas de unidade de cuidados intensivos”, especificou.“O
sistema de saúde, que está em dificuldades, não se pode dar ao luxo de
perder nenhuma das restantes instalações”, acrescentou Tedros Adhanom
nas redes sociais.“Com a escalada da
violência, os hospitais da Cidade de Gaza estão sob imensa pressão.
Tornaram-se novamente uma enorme ala de trauma, sobrecarregados pelo
fluxo de feridos e pela escassez de camas e de mantimentos essenciais”,
lamentou.Apesar disso, o responsável
comunicou à população civil que “a OMS e os seus parceiros vão
permanecer na Cidade de Gaza” e apelou à comunidade para agir.“Exijam
um cessar-fogo imediato. Exijam o respeito pelo direito internacional
humanitário, incluindo a libertação de reféns e detidos
arbitrariamente”, incitou.“Exijam o acesso
irrestrito a ajuda vital e aos serviços essenciais à escala
necessária”, acrescentou, referindo-se às severas restrições impostas
pelo Governo israelita à entrega de ajuda humanitária aos palestinianos
no enclave como parte da sua ofensiva.O
bloqueio total que Israel impôs à entrada de ajuda humanitária entre
março e o final de maio levou a uma situação de fome, oficialmente
declarada pela ONU em agosto no norte do território, mas negada pelas
autoridades israelitas.Israel está
atualmente a aplicar um novo plano militar para o enclave, que prevê a
ocupação da Cidade de Gaza, a região apontada pela ONU como a mais
afetada pela fome, e a deslocação forçada de centenas de milhares dos
seus habitantes, gerando uma vaga de críticas internacionais e dentro do
próprio país.Israel afirma pretender
eliminar as últimas bolsas de resistência do Hamas e recuperar os 48
reféns que o Hans ainda detém, antes de entregar a gestão do território a
entidades civis que não sejam hostis a Telavive.A
guerra em curso na Faixa de Gaza foi desencadeada por um ataque
liderado pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, onde fez
1.200 mortos, na maioria civis, e 251 reféns.Em
retaliação, Israel lançou uma ofensiva em grande escala no enclave
palestiniano, que provocou acima de 64 mil mortos, na maioria mulheres e
crianças, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo
islamita, destruiu a quase totalidade das infraestruturas do território e
provocou um desastre humanitário sem precedentes na região.