Direita diz que TAP comprova falha de gestão pública, esquerda pede fim de “lógica privatizadora”
3 de mai. de 2023, 19:40
— Lusa/AO Online
Num debate sobre
atualidade requerido pela IL sobre o setor empresarial do Estado, o
líder parlamentar dos liberais, Rodrigo Saraiva, abordou a polémica
sobre a TAP para defender que a gestão da companhia aérea é uma
“demonstração cabal de como o PS, quando mete a mão numa empresa
pública, pega em tudo aquilo que mexe”.“A
TAP é só uma das 148 empresas do setor empresarial do Estado que
deveriam ser viáveis mas não o são. (…) Como será nas outras 147
empresas em que o Governo mete a mão? Quando irá o Governo meter a mão
na sua consciência e tirar a mão das empresas do Estado?”, questionou. Na
mesma linha, o deputado do PSD Paulo Rios de Oliveira salientou que,
face às revelações que têm surgido na comissão de inquérito à companhia
aérea, “todos trememos a pensar no que ainda não se sabe da TAP e das
outras empresas públicas”.“Sobra uma
reflexão: e quem paga este regabofe de milhões atrás de milhões na TAP e
nas outras? Adivinhem: os portugueses, sempre os portugueses. É
possível fazer melhor, muito melhor, e para isso o PSD está pronto tão
logo que seja chamado”, disse. O líder do
Chega, André Ventura, também considerou que a TAP “está a mostrar bem
como são geridas as empresas públicas por parte do Governo socialista:
mentiras atrás de mentiras”.“A gestão da
TAP levanta-nos suspeitas fundadas de que, nas principais empresas do
Estado, reina o total regabofe, de total apropriação destas empresas
pelo PS e do uso destes cargos para benefício do próprio PS”, acusou. À
esquerda, o deputado do PS Miguel Cabrita criticou a Iniciativa
Liberal, defendendo que, nos últimos tempos, o partido tem adquirido uma
“imagem de marca que é a tentativa de exploração de casos” e acusou os
liberais de tentarem “lançar suspeição sobre o Estado”.“É
de facto a IL em plena radicalização e numa agenda populista que nós
registamos e que tem ficado bem patente, episódio após episódio, neste
hemiciclo e fora dele”, vincou.Já o PCP,
pelo deputado Duarte Alves, criticou o PS por estar a “ceder à direita
no caso da TAP”, desafiando o Governo a “arrepiar caminho” e “deixar de
pensar a gestão das empresas públicas no sentido da privatização”.“Isso
é que nós não podemos aceitar, e é essa a reestruturação que o Governo
precisa, é uma reestruturação de políticas, uma remodelação das
políticas para deixar de servir os interesses das multinacionais a quem
foram entregues estas empresas e deixar esta lógica privatizadora”,
disse.O líder parlamentar do Bloco de
Esquerda, Pedro Filipe Soares, considerou que as revelações sobre a TAP
mostram a “absoluta incapacidade do Governo” em gerir a companhia aérea,
salientando que, “a cada nova notícia que se vai conhecendo, percebe-se
que não metem só os pés pelas mãos, embrulham-se todos”.No
entanto, o deputado do BE ressalvou que “isso são pecados do PS, do
Governo” e não da TAP, acusando os socialistas de estarem a fazer a
escolha de “atacar aquilo que é estratégico e dá lucro, para entregar
aos privados”, e defendendo que a companhia aérea é “indispensável ao
país”.O deputado único do Livre, Rui
Tavares, lembrou que há países periféricos e sem riquezas naturais, como
Singapura, que conquistaram ‘hubs’ continentais para terem uma presença
no mercado global através de uma companhia aérea estatal. “É
isso que Portugal está a perder quando privatizar uma TAP que dá lucro,
embora dê dores de cabeça aos políticos e é por causa disso que vão
acabar a privatizar”, disse. Já a
porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real criticou que, depois de injetados
3,2 mil milhões de euros do erário público na TAP, o Governo não informe
o parlamento nem os portugueses sobre os moldes em que vai ser feita a
privatização da companhia aérea.Em
resposta aos partidos, o secretário de Estado das Finanças, João Nuno
Mendes, recordou que, na semana passada, começou processo de duas
avaliações independentes à TAP, iniciando a privatização, e recuou até
2020 para salientar que, nessa altura, “só o Estado podia salvar a TAP”.“O
dinheiro acabava na TAP se o Estado não tivesse entrado com uma ajuda
de emergência aprovada pela União Europeia ‘in extremis’. É essa a razão
fundamental porque a TAP é 100% pública: só o Estado podia salvar a TAP
e mais ninguém”, frisou.