Direção-Geral da Saúde aguarda informação da OMS sobre novo vírus
11 de ago. de 2022, 13:22
— Lusa/AO Online
Um
estudo científico revelou a deteção deste novo vírus de origem animal,
da família dos Henipavírus, em 35 pessoas nas províncias chinesas
Shandong (leste) e Henan (centro).O vírus,
para o qual atualmente não há vacinas ou tratamentos, foi detetado por
meio de amostras recolhidas da garganta de doentes que tiveram contacto
recente com animais, e está associado a sintomas como febre, cansaço,
tosse, perda de apetite, dores de cabeça e musculares, e náuseas,
segundo o jornal oficial Global Times, que cita um artigo publicado por
cientistas da China e Singapura no New England Journal of Medicine, uma
das mais prestigiadas revistas médicas do mundo.Questionada
pela agência Lusa sobre se Portugal já está a tomar algumas medidas de
prevenção, a Direção-Geral da Saúde (DGS) afirmou que já recebeu a
informação do alerta pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das
Doenças (ECDC).A DGS refere que nas
atividades de ‘Epidemic Intelligence’ o alerta foi divulgado “como
habitualmente” pela rede de autoridades de saúde, laboratório de
referência nacional e outros parceiros nacionais, tendo a autoridade
nacional de saúde estabelecido articulação com a OMS e o ECDC.
Habitualmente, neste tipo de alerta, a OMS e ECDC desencadeiam a
abordagem para a validação do alerta, confirmação e avaliação de risco
conjunta e harmonizada e eventuais medidas a considerar nos diferentes
países europeus, refere a DGS numa resposta escrita à Lusa.
“Tendo em conta que o alerta não foi efetuado pelas autoridades
chinesas, mas sim no contexto de uma publicação científica, o
procedimento internacional deste tipo de alerta requer esta abordagem
inicial da OMS, pelo que, a DGS, assim como as autoridades de saúde dos
restantes países aguardam mais informação da OMS e do ECDC”, salienta.
O Global Times refere que investigações posteriores revelaram que 26
dos 35 doentes desenvolveram sintomas clínicos, aos quais se somam
irritabilidade e vómitos.Segundo o portal
de notícias estatal The Paper, o henipavírus é uma das principais causas
emergentes do salto de doenças de animais para seres - humanos - um
processo designado zoonose - na região da Ásia - Pacífico.Aquele
meio indicou que um dos vetores de transmissão do vírus é o morcego
frugívoro, considerado hospedeiro natural de dois dos Henipavírus
conhecidos: o vírus Hendra e o Nipah.Segundo
a OMS, o vírus Hendra causa infeções em pessoas, que variam entre
assintomáticas e infeções respiratórias agudas e encefalites graves, com
uma taxa de letalidade estimada entre 40 e 75%, que “pode variar,
dependendo das capacidades locais de pesquisa epidemiológica e gestão
clínica”.O Global Times lembrou que não
está provado que haja casos de transmissão de pessoa para pessoa, embora
estudos anteriores indiquem que este tipo de contágio não está
descartado.“O coronavírus não será a
última doença contagiosa a causar uma pandemia, pois novas doenças terão
um impacto crescente na vida quotidiana dos seres humanos”, disse o
vice-diretor do Departamento de Patologias Infecciosas do Hospital
Huashan, afiliado à Universidade de Fudan, em Xangai, citado pelo
jornal.