Direção executiva corrige números do Governo sobre cirurgias oncológicas
13 de jun. de 2024, 11:17
— Lusa/AO Online
Quando
apresentou o Plano de Emergência para a Saúde, no final de maio, o
Governo disse que havia 9.374 doentes oncológicos em lista de espera
para cirurgia fora do Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG), um
número que a Direção Executiva diz corresponder a todos os doentes
oncológicos a aguardar cirurgia no final de abril.Fora
do TMRG, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS)
disse que, na mesma altura, aguardavam 2.645 doentes oncológicos, o que
representava 28,20% do valor indicado pelo Governo e inscrito no Plano
de Emergência da Saúde.Na informação
facultada à Lusa, a DE-SNS lembra que a lista de inscritos para
cirurgia é monitorizada diariamente, “para que sejam cumpridos os tempos
máximos de resposta garantidos, sabendo da dificuldade das instituições
e tentando sempre encontrar soluções para os doentes mais agudos”.Sublinha
que se trata de “um indicador dinâmico”, sendo normal que se observem
“saídas de doentes em espera por terem sido já sujeitos a cirurgia,
assim como novas entradas, com novos tempos de priorização”.Em
termos líquidos, entre 30 de abril e 07 de junho, há menos 56 doentes
em lista de espera para cirurgia acima dos TMRG, mas mais 3.491 doentes
em lista de espera total.Quanto aos doentes oncológicos, houve uma diminuição de 304 doentes acima do TMRG. A
ministra da Saúde foi questionada na comissão parlamentar de Saúde
sobre os doentes oncológicos a aguardar cirurgia fora do TMRG, tendo
justificado os números divulgados pelo Governo com o facto de o
Executivo entender que estes doentes são sempre prioritários.Num
esclarecimento enviado à Lusa após a audição no parlamento, o
Ministério da Saúde insistiu que “não deve haver um único dia de espera”
para os doentes oncológicos que aguardam cirurgia e defendeu a
necessidade de revisitar as prioridades e inscrições na lista de
inscritos para cirurgia.A este respeito, a
DE sublinha que “há doentes mais graves e cujo tempo de intervenção
deve ser priorizado em relação aos oncológicos”, dando como exemplo
algumas intervenções cardiovasculares, nomeadamente por cirurgia
cardíaca, cirurgia vascular ou neurocirurgia.Os
dados da DE-SNS indicam que, no final da primeira semana de junho,
aguardavam cirurgia 9.351 doentes oncológicos. Fora do TMRG estavam
2.341 (25%). No total, aguardavam cirurgia nessa altura mais de 275.000 doentes, 74.617 (27,1%) acima do TMRG.