Diogo Ribeiro ambicionava mais mas ficou entre a felicidade e a tristeza
Paris2024
2 de ago. de 2024, 12:42
— Lusa/AO Online
“Correu
bem. Primeira experiência. Ganhei a experiência, ganhei a
competitividade. Estou feliz. Agora, é aproveitar as férias”, começou
por dizer o nadador de 19 anos, na zona mista de La Défense Arena.No
entanto, ao longo das suas declarações, Diogo Ribeiro foi reconhecendo
que esperava muito mais do que o 20.º melhor tempo das eliminatórias –
nadou em 51,90 segundos, ficando a 28 centésimos do 16.º e último
apurado para as ‘meias’.“Vim para aqui
como campeão mundial e nem a meia-final passei. Temos de ver o que é que
aconteceu, o que é que falhou para o pico de forma. Não vou mentir, nem
estava à espera que com as sensações que tive nesta prova... Pensei que
ia para um tempo mais rápido, mas, ao mesmo tempo, não me esforcei
assim tanto para ir com o tempo mais rápido. Ou seja, sinto que tinha
mais para dar, mas, infelizmente, ia na terceira série e os outros
podiam ver os tempos que estávamos a fazer e ir mais rápido”, admitiu.O
campeão mundial dos 100 mariposa alinhou numa série “forte” e pensou
que, se conseguisse manter-se “no grupo da frente, ia dar para passar à
meia-final”. “Depois o grupo da frente esticou-se ali no final e eu não consegui acompanhar”, completou.Questionado
sobre se não arriscou ao não se esforçou “assim tanto” na sua série,
como o próprio declarou, Ribeiro defendeu que “não foi arriscar”,
simplesmente porque esta foi a sua primeira experiência olímpica.“Tinha
de passar à final e na final tudo podia acontecer. Mas lá está, assim
como fui campeão mundial sete décimos à frente do oitavo, também podia
ter ficado fora da final, essas coisas acontecem. Também todos sabemos
que nesse Mundial, em todas as eliminatórias que passei, fui melhorando o
tempo, ou seja, fui sempre a ver o que é que eu podia esticar e como é
que eu podia passar e agora estava à espera que fosse a mesma coisa,
estava à espera de um 51,6 que me daria a passagem, mas não foi
possível”, revelou.Ribeiro foi apenas
sexto na terceira série da sua prova de eleição, ficando ainda distante
do seu recorde nacional (51,17 segundos). “Estou
contente e ao mesmo tempo não estou. Estou contente pela experiência e
porque são os Jogos Olímpicos, mas, ao mesmo tempo, claro que
ambicionava fazer mais, é óbvio”, reforçou, num discurso pautado por
permanentes oscilações no seu estado de espírito.O nadador do Benfica confessou ainda que a grande pressão com que teve de lidar foi a sua, definindo-a como “a maior de todas”.“A
prova não foi bem gerida e não consegui obter a passagem. Estou triste,
mas, ao mesmo tempo, estou contente. Agora quero manter a calma, ter a
cabeça para cima e, sobretudo, não mostrar que ‘estou a bater mal na
cabeça’, porque nós, atletas, treinamos muito isso, também o
psicológico. E só quem é campeão do mundo e quem tem medalhas todos os
anos - que há muitos portugueses nas modalidades a fazer isso,
felizmente - é que percebe o quão psicologicamente estamos preparados
para chegarmos lá e fazermos”, notou.O
jovem luso está convencido que não é por ter falhado em Paris2024, onde
foi 16.º nos 50 metros livres (meias-finais) e 28.º nos 100 livres, que
“as pessoas vão começar a fazer críticas”.“Acho
que críticas construtivas são boas, mas às vezes, como à Simone Biles
[ginasta norte-americana] também já aconteceu, de ver tanta coisa, tanta
porcaria, entre aspas, na net, tantos comentários maus, dá cabo da
cabeça de um atleta e acho que temos de apoiar os atletas e não
rebaixá-los mais”, alertou.