Diocese de Angra conclui primeiro processo de beatificação de uma açoriana
2 de nov. de 2024, 08:20
— Lusa
Maria Vieira da Silva, uma jovem terceirense de 13 anos, era natural da paróquia de São Sebastião.Segundo
informação disponibilizada no sítio na Internet Igreja Açores, da
Diocese de Angra, a história de Maria Vieira "era em tudo semelhante à
de Maria Goretti, uma menina Italiana de 12 anos que no final do século
XIX perdeu a vida a defender a sua virgindade e que, sete anos após a
morte de Maria Vieira, foi beatificada pelo papa Pio XII, que haveria de
a canonizar Santa Maria Gortetti em 1950"."Tal
como a nova santa italiana, também Maria Vieira perdeu a vida a
defender-se de um agressor", falecendo a 05 de junho de 1940. Hoje
realizou-se na ilha Terceira a sessão de clausura com uma conferência
do investigador Ricardo Madruga da Costa, membro da Comissão Histórica
que juntou os testemunhos e a documentação relativa ao processo, que
está pronto para seguir para Roma, para ser entregue no Dicastério das
Causas dos Santos.Intervindo na sessão, o
bispo de Angra, Armando Esteves Domingues, que será o primeiro a enviar
para Roma um dossier de beatificação instruído na diocese, disse que
hoje foi selada a conclusão solene da fase diocesana de um processo que
“já vem de longe”.Em fevereiro de 2018, o
bispo de Angra, D. João Lavrador, deu luz verde ao início do processo de
beatificação e canonização de Maria Vieira da Silva, “uma adolescente
de quem, logo após a sua morte, começou a correr a fama de santidade. É
sempre assim que começam os processos. Compete à Igreja averiguar,
nomeando pessoas idóneas”, sublinhou Armando Esteves Domingues.O
bispo de Angra sustentou que, em dia de Todos os Santos, “torna-se
ainda mais significativa” a cerimónia de encerramento do processo
diocesano para a beatificação de Maria Vieira. Armando
Esteves Domingues lembrou que antigamente somente o Papa podia promover
uma causa de canonização, mas, atualmente, os bispos "têm autoridade
para isso". Mas, assinalou, é um trabalho que implica uma investigação feita "minuciosamente"."Tratando-se
de um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram a
sua morte para comprovar se houve realmente o martírio", referiu o bispo
de Angra, explicando que o segundo processo é o milagre da
beatificação. Segundo a Diocese de Angra,
depois de concluída a fase diocesana, o processo segue para Roma, para o
Dicastério das Causas dos Santos, onde será estudada a documentação e
poderão ser avaliadas e reconhecidas as suas virtudes heróicas, primeiro
passo para a beatificação. Se o fundamento para o processo for o facto
da jovem ser mártir poder-se-à dispensar a prova da existência de
milagre, passando de Venerável, primeiro passo da fase romana, para
Beata.O bispo de Angra realçou o trabalho
de todos os que "assumiram as tarefas necessárias para recolher e
registar documentação e testemunhos sobre a vida, as virtudes, a fama de
santidade, em particular, e as graças, em geral" de Maria Vieira."Quero
agradecer também aos leigos, aos Conselhos Pastoral e Económico de São
sebastião e aos cristãos anónimos que sempre alimentaram este sentir
comum da santidade de Maria Vieira e nunca desistiram de prosseguir este
objetivo, também angariando fundos para a causa", frisou.Para
o bispo de Angra, o momento e o dia de hoje "serve para aprofundar o
que significa este chamamento à santidade que é feito a todos os
cristãos já desde o batismo".O processo
teve como promotor inicial o pároco de São Sebastião, Domingos Graça, e
como postulador da causa Manuel Carlos Alves, atual Reitor do Santuário
do Senhor Santo Cristo, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.