Diocese de Angra assinala 489 anos com foco no reforço da participação na Igreja
31 de out. de 2023, 07:49
— Carolina Moreira
A Diocese de Angra celebra, na próxima sexta-feira, 489
anos, numa altura em que será também apresentado o primeiro itinerário
pastoral do bispo D. Armando Esteves Domingues focado na auscultação dos
diferentes órgãos regionais, com o intuito de traçar um “plano” para
reforçar a participação dos “leigos” na Igreja.A preocupação da
Diocese foi manifestada numa nota publicada no sítio da Igreja Açores,
onde o bispo afirma que irá apresentar o primeiro itinerário pastoral do
seu episcopado no próximo dia 26 de novembro, adiantando que terá a
duração de dois anos e que está a ser preparado a partir dos
“contributos da Igreja diocesana no processo sinodal em curso”.Numa
carta, D. Armando Esteves Domingues adianta que este itinerário para
2023/24 será como “um tempo zero, marcado pela escuta e pela comunhão,
sem pressa ou tentação de fazer tudo de repente”.“Não iremos ter
pressa nem pretender fazer tudo de repente. Começaremos por escolher os
diversos órgãos de participação sinodal na diocese que queremos venham
verdadeiramente a funcionar sinodalmente: Ouvidores, Conselho
Presbiterial e Conselho, Pastoral Diocesano”, afirma, salientando a
importância do reforço da participação e corresponsabilidade dos
“leigos”.“Onde não houver Conselho Pastoral Paroquial, seria tempo
para o formar”, afirma ainda na carta consultada pelo sítio da Igreja
Açores.Segundo a nota, o bispo pretende traçar um “plano” que “parta
das bases”, sugerindo que se “identifiquem necessidades e elejam uma ou
outra prioridade, seja na formação laical e dos ministérios vários, na
Liturgia, caridade, catequese ou outras”.A nota de imprensa alerta
que, dos “237 mil habitantes do arquipélago, cerca de 80% dos açorianos
ou residentes nos Açores dizem professar a religião católica”, no
entanto é “notória a redução da participação no culto, nomeadamente ao
domingo bem como o envolvimento na vida religiosa, com um progressivo
envelhecimento nos movimentos, serviços e irmandades”.De acordo com o
padre Hélio Soares, um dos responsáveis pelo grupo de trabalho criado
pela Diocese, que está a escrever a história religiosa dos Açores,
existem problemas que condicionam a atividade diocesana e que se prendem
com a geografia.“Cada ilha é uma mini diocese e por isso vive muito
fechada sobre si própria. Os contactos com o exterior têm sido sempre
muito condicionados e isso impede que, muitas vezes nos apercebamos de
boas experiências que poderiam ser adotadas nos Açores” ao nível das
diferentes pastorais, salienta.“Aprendemos pouco com as experiências
já realizadas. Existem experiências muito interessantes a nível
nacional, não precisaríamos de inventar muito, bastaria transpormos para
a realidade insular”, acrescenta ainda o sacerdote.Ainda assim, a
Igreja Açores destaca que a Diocese de Angra conta com um total de 165
paróquias e 22 curatos e dispõe de uma centena e meia de sacerdotes e
seis diáconos permanentes, mobilizando “centenas de leigos nos vários
movimentos e serviços da Igreja, a começar pela catequese, que é a
dimensão pastoral que envolve mais pessoas, apesar de se ter registado
uma quebra depois da pandemia, o que também teve implicações económicas
severas, com algumas paróquias a enfrentarem dificuldades financeiras”.Refira-se
que, para assinalar os 489 anos da Diocese, está prevista a realização
de duas celebrações em Ponta Delgada e em Angra nos dias 3 e 5 de
novembro, respetivamente, pelas 18h00.