Dinheiro bloqueado pelos EUA deve ser usado para reparar sistema elétrico
Venezuela
Hoje 17:10
— Lusa/AO Online
“Em vez
disso, esse dinheiro está a pagar a um escritório privado de advogados
nos Estados Unidos contratado para defender quem acrescentou anos a esta
crise”, criticou Edmundo González Urrutia, numa referência ao ex-líder
Nicolás Maduro, capturado a 03 de janeiro pelas autoridades
norte-americanas e atualmente detido em Nova Iorque.González
Urrutia reagia assim a um comunicado do Governo venezuelano, divulgado
quinta-feira, no qual afirmou estar a “executar manobras” de
estabilização e proteção do Sistema Elétrico Nacional para garantir o
equilíbrio do serviço, assegurando que foi alcançado “um marco na
procura” de eletricidade.O executivo
indicou que as “elevadas temperaturas” e o “crescimento económico” estão
na origem da forte procura de energia, embora dirigentes da oposição
denunciem há anos corrupção e falta de manutenção no sistema elétrico.O
Governo de Caracas pediu ao setor privado para utilizar de forma
responsável as próprias fontes de geração de energia perante as altas
temperaturas previstas para quinta-feira e hoje, tendo igualmente
proibido a mineração digital em todo o território.O
comunicado acrescentou que, a partir de agora, será lançada uma
convocatória nacional envolvendo setores privados, industriais,
académicos e científicos para apresentar o Plano de Recuperação e
Transformação do Sistema Elétrico Nacional venezuelano.A
este propósito, González Urrutia criticou a resposta do Governo de
pedir ao setor privado que utilize os próprios geradores elétricos e aos
venezuelanos que “poupem eletricidade”.O
líder da oposição disse que o problema do sistema elétrico não está
relacionado com as sanções impostas à Venezuela – como têm defendido
várias autoridades, entre as quais a Presidente interina, Delcy
Rodríguez –, mas sim por “nenhuma empresa séria assinar um contrato com
quem não tem legitimidade para o cumprir”."Os
mesmos que nunca ficaram sem eletricidade em casa pedem agora ao país
que aceite a ‘nova’ escuridão”, afirmou González Urrutia, exilado desde
2024.A Venezuela enfrenta diariamente
avarias no fornecimento de energia elétrica, sobretudo em regiões
afastadas de Caracas, pelas quais o Governo responsabilizou no passado a
oposição, apesar de as instalações do setor serem vigiadas por
militares.