Dinamarca e NATO concordam no reforço da segurança no Ártico
Gronelândia
Hoje 11:26
— Lusa/AO Online
“Trabalhamos
juntos para garantir a segurança de toda a NATO e vamos basear-nos na
nossa cooperação para reforçar a dissuasão e a defesa no Ártico”,
afirmou Rutte após um encontro em Bruxelas com Frederiksen, citado pela
agência francesa AFP.O chefe da NATO disse
ainda que a Dinamarca continuava “a contribuir de forma sólida” para a
segurança comum e estava a aumentar o investimento “para fazer ainda
mais”.Frederiksen saudou o encontro com Rutte e o consenso sobre a necessidade de a NATO “aumentar o compromisso no Ártico”.“A defesa e a segurança no Ártico são assuntos que dizem respeito a toda a Aliança”, afirmou numa mensagem nas redes sociais.A
reunião realizou-se no seguimento da tensão criada pela ameaça do
Presidente norte-americano, Donald Trump, de tomar a Gronelândia pela
força, apesar de ser um território autónomo da Dinamarca.Trump alegou razões de segurança dos Estados Unidos, nomeadamente face a alegadas atividades na região da China e da Rússia.Após
uma reunião com Rutte na quarta-feira em Davos, na Suíça, Trump
anunciou que estava a trabalhar num acordo com a NATO sobre a
Gronelândia e que tinha conseguido tudo o que queria.Trump assegurou aos jornalistas que os Estados Unidos tinham obtido tudo o que queriam e “para sempre”.Após
a negociação com Rutte, Trump retirou a ameaça de impor taxas
alfandegárias suplementares a oito países europeus que enviaram tropas
para a Gronelândia.A primeira-ministra
dinamarquesa considerou que o pré-acordo NATO-EUA respeitava a soberania
da Dinamarca e da Gronelândia, segundo a agência de notícias espanhola
EFE.Frederiksen participou na quinta-feira numa reunião informal do Conselho Europeu para abordar as relações transatlânticas.Após
o encontro com Rutte em Bruxelas, Frederiksen partiu para Nuuk, a
capital gronelandesa, para se reunir ainda hoje com o primeiro-ministro
da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, segundo anunciou nas redes
sociais.A Dinamarca considera que o
processo de negociação com os Estados Unidos, decidido em meados de
janeiro, poderá ser retomado após a interrupção causada pelas ameaças de
Trump.“Sem entrar em detalhes, posso
dizer que ontem [quinta-feira] houve um encontro em Washington em que se
confirmou de novo que é isso que vamos fazer e foi estabelecido um
plano sobre como fazê-lo”, disse hoje o chefe da diplomacia dinamarquesa
em Copenhaga.Lars Lokke Rasmussen manifestou-se confiante no rápido avanço das reuniões e antecipou um processo pacífico.“Não
comunicaremos quando se realizam essas reuniões porque é necessário
retirar o dramatismo de tudo isto”, declarou Rasmussen após uma reunião
da comissão de Negócios Estrangeiros do parlamento dinamarquês.“Devemos
evitar as ‘últimas horas’ e ter um processo tranquilo. Já está em
marcha, mas não posso dizer quanto vai durar”, acrescentou, citado pela
EFE.Sobre as negociações de Trump com
Rutte, Rasmussen esclareceu tratar-se de um quadro de referência, e não
de um acordo em si, que ainda deve ser negociado com a Dinamarca e a
Gronelândia, sugerindo que “houve um mal-entendido”.“Creio
que o que deve ser observado é que, após a reunião com o
secretário-geral da NATO, o que existe é um quadro para um acordo
futuro”, disse.“Isso foi traduzido
rapidamente para um ‘acordo-quadro’ e depois para ‘vamos ver esse
acordo’ ou ‘quem negociou sem estarmos lá’”, explicou.Uma
fonte ligada ao processo disse na quinta-feira à AFP que a questão
passa pela renegociação do acordo de defesa de 1951, no âmbito do qual
os Estados Unidos mantêm uma base militar na Gronelândia.A
alteração do acordo visa a inclusão de uma cláusula sobre o escudo
antimíssil que Trump pretende criar, chamado Cúpula Dourada, semelhante
ao que defende Israel.