Dinamarca admite autorizar tropas e armas dos EUA no seu território
10 de fev. de 2022, 16:36
— Lusa/AO online
Mette
Frederiksen explicou que essa possibilidade resulta de uma proposta de
“cooperação bilateral de Defesa” apresentada pelos Estados Unidos fora
do âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), a que
pertencem os dois países. "A
forma exata que esta colaboração assumirá ainda não foi definida, mas
poderá incluir a presença de soldados norte-americanos, equipamento e
material militar em solo dinamarquês”, disse Frederiksen numa
conferência de imprensa em Copenhaga, citada pela agência France-Presse
(AFP).Frederiksen
disse que as negociações sobre o acordo não foram precipitadas pela
tensão entre a Rússia e a Ucrânia, mas reconheceu que a crise atual
ilustra a perspetiva dinamarquesa sobre a necessidade de um reforço da
cooperação.A
chefe do Governo social-democrata disse ainda que o acordo em
negociação com Washington aponta para uma cooperação semelhante à que os
EUA têm com a Noruega.O
ministro da Defesa dinamarquês, Morten Bødskov, referiu que a
iniciativa não significa que os EUA vão abrir bases no país nórdico, mas
permitirá aos militares norte-americanos disporem de outras facilidades
na Europa. “A
NATO e os Estados Unidos são os garantes da nossa segurança e é por
isso que estamos lado a lado com os Estados Unidos quando os valores
ocidentais como a democracia e a liberdade são desafiados”, disse
Bødskov, durante a mesma conferência de imprensa.Ao
lado de Frederiksen e Bødskov, o ministro dos Negócios Estrangeiros,
Jeppe Kofod, disse que a Dinamarca é apenas um dos vários países
europeus a intensificar as parcerias de defesa com os EUA.“A
liberdade não é de graça e os amigos aproximam-se em tempos de
conflito. É isso que a Dinamarca e os EUA estão a fazer agora”, disse
Kofod, citado pelo jornal dinamarquês em língua inglesa The Copenhagen
Post.A
Dinamarca, que lutou ao lado dos EUA no Iraque, tornou-se um dos aliados
mais próximos de Washington na Europa durante as últimas duas décadas,
segundo a AFP.No
âmbito da crise na Ucrânia, a Dinamarca reforçou esta semana o nível de
preparação de um batalhão de 700-800 soldados para que possa ser
mobilizado pela NATO no prazo de 1-5 dias.O Governo também deslocou dois caças F-16 para a ilha de Bornholm, no Mar Báltico, para proteger o espaço aéreo dinamarquês.“Estamos
a reforçar as nossas capacidades militares para podermos reagir mais
rapidamente, se a situação assim o exigir”, disse o chefe das Forças
Armadas, general Flemming Lentfer, à agência noticiosa dinamarquesa
Ritzau na terça-feira.O
Governo de Copenhaga já tinha enviado uma fragata para o Mar Báltico e
quatro F-16 para a Lituânia em janeiro, para reforçar o flanco oriental
da NATO. A Dinamarca é um dos países fundadores da NATO e é membro da União Europeia (UE).A
Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado
dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir
novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em
2014.A
Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da
crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua
segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da
NATO.