Dificuldades no setor da pesca do atum levam à venda de atuneiros
19 de jul. de 2024, 08:56
— Ana Carvalho Melo
A Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA)
revelou que estão à venda seis atuneiros e que se prevê que este
número possa aumentar.“Neste momento, encontram-se à venda seis
atuneiros, prevendo-se que este número venha a aumentar, resultado da
falência das empresas armadoras, da falência de um plano de pesca que
não existiu nos últimos anos e da falência de todo um setor que parece
navegar sem qualquer rumo”, revelou a associação, numa nota enviada à
comunicação social.A direção da APASA diz ainda estar preocupada com o caminho que se começa a vislumbrar na pesca do atum na região. “Infelizmente,
todos os apelos e alertas que temos dado ao Governo dos Açores são
confirmados, sem qualquer regozijo por parte desta Organização de
Produtores”, alerta.Nesse sentido, refere: “Assistimos, e bem, a
apoios financeiros a vários setores económicos da região, das mais
diversas formas, quando atravessam dificuldades”. Lamenta, no entanto,
que quando “um setor como o das pescas, e neste caso concreto do atum,
vem sofrendo reveses e limitações, não é tão pouco apoiado”.“A
constante redução da quota do patudo, os constrangimentos económicos,
tais como o aumento de impostos, aumento da inflação, aumento dos
combustíveis e das matérias-primas, a carência de uma estratégia para
esta pescaria, e a falta de apoio a estas empresas que se dedicam
exclusivamente a esta pescaria, colocam a pesca do atum à beira do
colapso”, alerta.Nesta nota, realça ainda que “a preocupação com as
consequências do enfraquecimento de uma pescaria, especialmente aquelas
reconhecidas pela sua seletividade, sustentabilidade e respeito pelo
ambiente, é bastante pertinente”. E afirma que “a errada implementação
de novas Áreas Marinhas Protegidas levará à diminuição ou cessação das
atividades pesqueiras, à perda de empregos diretos na pesca e de
empregos indiretos nos setores relacionados, como a indústria e o
comércio”.A APASA conclui esta nota afirmando lamentar que
“estejamos no princípio do fim de uma pescaria com história e de grande
reconhecimento internacional, que deveria ser um orgulho para a Região
Autónoma dos Açores”.