Diabetes atinge o valor mais alto de sempre com 14,2% da população portuguesa
4 de nov. de 2025, 12:37
— Lusa
Os dados
do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes – “Diabetes:
Factos e Números”, elaborado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia
(SPD) e hoje divulgado, mostram uma tendência crescente da doença no
país e alertam para a persistência de elevados níveis de subdiagnóstico,
atribuídos, em parte, à falta de integração dos dados provenientes do
setor privado. Apesar dos progressos
observados em alguns indicadores, o relatório destaca a estagnação no
número de amputações relacionadas com a diabetes, que se mantém estável
há uma década — com as amputações ‘major’ a representarem uma proporção
idêntica às ‘minor’ —, um dado considerado “preocupante”.“Apesar
de termos recuperado os rastreios e as consultas após a pandemia, o
número de amputações continua inalterado. É um sinal de que ainda
falhamos no controlo das complicações mais graves da doença” disse Rita
Nortadas, Presidente do Observatório Nacional da Diabetes, citada em
comunicado.Os dados indicam ainda que, em
2024, o custo direto da diabetes em Portugal foi estimado entre 1.500 e
1.800 milhões de euros, o que equivale a 0,5-0,6% do PIB nacional e
entre 5% a 6% da despesa total em saúde.“Este
relatório confirma que estamos perante uma epidemia que continua a
crescer em Portugal. O aumento constante da prevalência da diabetes
exige medidas mais eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e
articulação entre os níveis de cuidados”, defendeu Rita Nortadas.O
relatório revela ainda tendências positivas que refletem melhorias no
acompanhamento e controlo da doença: registou-se uma redução de 39% nos
anos potenciais de vida perdidos por diabetes ao longo da última década,
um ligeiro decréscimo da doença nas causas de morte, bem como uma
diminuição significativa dos internamentos hospitalares em que a
diabetes surge como diagnóstico principal ou associado.Mais
de 90% dos internamentos ocorrem na população adulta e 85,3% das
pessoas com diabetes tiveram pelo menos uma consulta registada no
Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2024, números que demonstram a
recuperação da atividade assistencial nos Cuidados de Saúde Primários.“A
ausência de dados mais detalhados — por tipo de diabetes, por setor e
por região — continua a ser um obstáculo à formulação de políticas de
saúde eficazes”, considera Rita Nortadas, que defende ser fundamental
“avançar para sistemas de informação integrados que permitam decisões
baseadas em evidência”.“A diabetes
representa até 0,6% do PIB nacional. Investir na prevenção e na gestão
da doença é investir na sustentabilidade do sistema de saúde e na
qualidade de vida das pessoas”, conclui Rita Nortadas.A
diabetes afeta atualmente cerca de 589 milhões de adultos em todo o
mundo, número que poderá ultrapassar 800 milhões nas próximas décadas. Em
Portugal, cerca de 1,1 milhões de adultos vivem com diabetes, o que,
segundo a SPD, reforça a urgência de políticas de prevenção e
acompanhamento.