DGS garante que pessoas anteriormente infetadas "vão ser vacinadas”
Covid-19
30 de mar. de 2021, 12:09
— Lusa/AO Online
Num esclarecimento enviado à
agência Lusa, na sequência da denúncia da Ordem dos Médicos a partir do
relatório do Centro Europeu para o Controlo de Doenças (ECDC), que
destacou na segunda-feira Portugal e Islândia como os únicos países a
não incluírem atualmente na vacinação as pessoas anteriormente infetadas
pelo vírus SARS-CoV-2, a autoridade de saúde nacional diz que o tema
está “em constante monitorização”.“Em
Portugal, as pessoas que recuperaram da infeção por SARS-CoV-2 vão ser
vacinadas. Não se trata de não vacinar os recuperados. No entanto, neste
momento, encontramo-nos num cenário em que o número de vacinas ainda é
limitado. Por isso, num contexto de escassez, devem ser priorizadas as
pessoas com maior risco de contrair a infeção por SARS-CoV-2 e que não
tenham ainda tido a possibilidade de desenvolver resposta imunológica”,
refere a DGS.Salientando o “princípio de
maximização do benefício” perante a reduzida disponibilidade de vacinas,
o organismo liderado por Graça Freitas reitera que “a vacinação de
pessoas recuperadas poderá vir a ocorrer logo que a disponibilização de
vacinas aumente”. A ‘task force’ responsável pelo plano de vacinação
contra a covid-19 já realçou o aumento das entregas de vacinas previsto
para o segundo trimestre.Por outro lado, a
DGS rebate as críticas com os dados sobre as reinfeções por SARS-CoV-2 a
nível mundial, argumentando que o número “é muitíssimo baixo” e que as
“pouquíssimas reinfeções são habitualmente quadros clínicos ligeiros” da
doença.“Os estudos têm mostrado que a
imunidade adquirida após a infeção por SARS-CoV-2 é duradoura e protege
de reinfeções, pelo menos com a mesma eficácia que as vacinas (ou até
com mais eficácia)”, indica a autoridade de saúde, acrescentando: “A
infeção natural pode conferir imunidade até para as novas variantes e
por mecanismos adicionais do que a mera produção de anticorpos”.Sem
deixar de expressar a leitura de que os testes serológicos não devem
ser tidos em conta para as decisões sobre vacinação, e “enquanto as
vacinas forem um bem escasso, a estratégia é vacinar quem mais beneficia
da vacinação, isto é, as pessoas que não tiveram oportunidade de
adquirir imunidade por não terem tido covid-19”, conclui a DGS.