DGS faz recomendações aos profissionais de saúde sobre efeito do parvovírus em grávidas
26 de jul. de 2024, 11:26
— Lusa/AO Online
Numa informação
disponível no seu ‘site’, a Direção-Geral da Saúde (DGS) indica, citando
dados provisórios, que desde janeiro deste ano observou-se um aumento
progressivo do número de internamentos hospitalares, relacionado com o
Parvovírus, com aparente pico em março.“Estima-se
que 30-40% das mulheres grávidas podem ser suscetíveis à infeção. A
infeção nas primeiras 20 semanas de gestação pode conduzir a resultados
adversos graves para o feto, como anemia, hidrópsia fetal e morte
intrauterina, em até 10% dos casos”, adverte a DGS.Assim,
a DGS recomenda aos profissionais de saúde que informem as grávidas
sobre a transmissão do parvovírus B19 e incentivem à adoção de medidas
de precaução para evitar a sua disseminação, em particular quando
existir contacto com familiares em idade escolar, e no contexto laboral
com crianças em idade escolar.Recomendam
igualmente nas consultas de vigilância da gravidez e noutros contextos
de prestação de cuidados de saúde na gravidez, solicitar informação à
grávida sobre exposição a caso de infeção.Nas
consultas de vigilância de saúde infantil e juvenil ou noutros
contextos de prestação de cuidados pediátricos, perante um diagnóstico
de parvovírus B19, os profissionais devem perguntar se houve contacto
recente com uma mulher grávida, em particular no agregado familiar.Nas
situações de exposição a grávida deverá ser referenciada para consulta
de vigilância nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) ou para Obstetrícia e
devem ser pedidos exames.Em crianças, o
sintoma mais frequente é o eritema infeccioso, caracterizado por um
quadro febril de mal-estar, com mialgias, diarreia e cefaleias, enquanto
nos adultos, é a poliartralgia periférica das mãos, punhos, joelhos e
tornozelos, podendo afetar até 50% das mulheres grávidas não imunes
infetadas.De acordo com a DGS, cerca de
dois terços da população são imunes à infeção pelo parvovírus B19,
devido a infeções anteriores (15% das crianças pré-escolares, 50% dos
adultos e 85% dos idosos).A 05 de junho, o
Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para o
aumento substancial de casos de infeção pelo parvovírus B19 em nove
países da União Europeia desde março de 2024.“A
avaliação de risco do ECDC identificou as mulheres grávidas como um
grupo populacional com risco, avaliado como baixo a moderado, pela
suscetibilidade à infeção e pela gravidade do quadro clínico numa
pequena percentagem de grávidas infetadas, e pelo impacto que a infeção
pode ter no feto, em especial quando a infeção ocorre em gestações com
menos de 20 semanas”, indica a DGS. O ECDC
refere que os dados a nível europeu são limitados, uma vez que o
parvovírus B19 não faz parte da vigilância de rotina a nível nacional em
muitos países da União Europeia, incluindo Portugal. "Embora
na maioria dos casos o desfecho da gestação seja favorável, a infeção
pode levar a complicações em 1 a 5% dos casos, pelo que deve ser dada
particular atenção às manifestações clínicas, diagnóstico e
referenciação, caso necessário", indica a DGS.O
parvovírus B19 transmite-se por gotículas respiratórias, contacto
mão-boca, produtos derivados de sangue, transplante de medula óssea ou
via transplacentária.O vírus tem um
período de incubação de quatro a 14 dias após a exposição, mas pode
durar até três semanas e o doente é considerado infeccioso durante cinco
dias, podendo ser assintomática.