DGS diz que cabe aos adultos fazer tudo para reduzir riscos nas creches
Covid-19
11 de mai. de 2020, 15:26
— Lusa/AO Online
As creches são
“um sítio para brincar” e as crianças são “muito pequeninas e, portanto,
não é possível” impor-lhes regras de comportamento, disse Graça Freitas
na conferência de imprensa diária sobre a evolução da pandemia de Covid-19 em PortugalNo entanto, sublinhou,
“devemos fazer tudo, mas tudo, que os adultos e o espaço permitirem
para minimizar o risco das suas brincadeiras”.Graça
Freitas deu vários exemplos de como o fazer, como “desdobrar turmas,
manter o mínimo possível de meninos dentro de uma sala”. “Não garante que eles não se juntem”, mas permite que se crie “uma espécie de distanciamento social alargado”.Por
outro lado, apontou, “sabemos que na brincadeira eles não podem deixar
de se juntar, mas podem deixar os sapatos à porta” e na hora de dormir
os seus colchões devem ficar a uma distância de segurança para não
passarem “gotículas para o seu coleguinha do lado” enquanto dormem.Também
se pode pedir que cada menino tenha o seu próprio colchão e que “as
refeições que são tomadas tenham também espaçamento entre as salas, que
não sejam todas ao mesmo tempo e que tenham circuitos separados”,
exemplificou Graça Freitas.“O que nós os
adultos podemos fazer não é impedir o mundo dos meninos, mas é dar a
esse mundo dos meninos a maior segurança possível e isso está na mão dos
adultos, separando mesas, salas, dedicando o material tanto quanto
possível a uma criança, arranjando circuitos próprios”, salientou.Por
isso, defendeu, “é tão importante que as creches se organizem em função
do seu espaço, do seu número de alunos para criarem este circuito”.“Agora,
obviamente, não vamos impedir o normal desenvolvimento dos meninos, nem
as suas brincadeiras, nem os seus convívios, porque isso é impossível,
vamos é fazer tudo para minimizar cruzamentos entre pessoas, entre
meninos, e por outro lado proteger os adultos que os acompanham”,
reiterou a diretora-geral da Saúde.Como os
meninos não podem utilizar uma máscara, “os adultos terão de fazê-lo,
obviamente, sempre para minimizar a probabilidade de contágio de um
adulto para uma criança”, exemplificou ainda.Graça
Freitas sublinhou que as regras que foram apresentadas há poucos dias
numa sessão pública eram apenas ainda para ser discutidas, para ouvir
pareceres de associações de pais e de outros setores da atividade.“Temos
que pensar nos meninos que têm características próprias e direito ao
seu desenvolvimento e à sua brincadeira e adultos têm de criar regras
que minimizem o cruzamento entre determinados objetos, equipamentos e
depois no cruzamento entre muitas crianças ao mesmo tempo”, rematou.A
Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI) já
manifestou “profunda preocupação” sobre as condições de reabertura de
creches dentro de uma semana e diz que as recomendações para essa
abertura são “profundamente desadequadas”.