DGS apela à população para fazer rastreio às infeções pelo VIH e hepatites virais
21 de nov. de 2022, 16:42
— Lusa/AO Online
“Estamos
a falar principalmente de três doenças, sida, hepatite B e hepatite C,
que são causa de morte”, mas para as quais “a medicina tem vacinas, tem
cura e tem tratamento para salvar vidas”, disse à agência Lusa o diretor
do Programa Nacional para as Hepatites Virais (PNHV) da DGS, Rui Tato
MarinhoAs estimativas apontam para que
haja cerca de 100.000 pessoas com estas três doenças em Portugal, sendo o
objetivo da “Semana Europeia do Teste de Outono 2022”, que começou hoje
e termina no sábado, sensibilizar a população para o benefício do
diagnóstico precoce destas infeções e para a eficácia da adesão ao
tratamento.Os rastreios, que são gratuitos
e anónimos, podem ser feitos em unidades móveis de várias organizações
da sociedade civil espalhados pelo país.“Através
de uma gota de sangue, num minuto, conseguimos detetar três doenças
muito silenciosas, muito ameaçadoras, potencialmente graves e, a partir
daí, pessoas que não sabiam que estavam infetadas podem avançar para o
tratamento, vacinação dos familiares” e no caso da hepatite C para a
cura.Segundo o relatório do PNHV 2022,
entre 2015 e 2021 foram autorizados 30.086 tratamentos para a hepatite
C, dos quais 28.844 já iniciados.“Quando
se restringe a análise ao universo de indivíduos que já concluíram o
tratamento e em que se pode avaliar a resposta virológica sustentada,
verifica-se que 18.074 estão curados (96,7%) contra 623 doentes não
curados (3,3%)”, lê-se no documento.Questionado
se estas doenças estão subdiagnosticadas em Portugal, Rui Tato Marinho
considerou que irá haver sempre pessoas que não sabem que têm a doença.“Como
são doenças que evoluem de forma silenciosa, sem sintomas, durante
muitos anos, até 30 anos, existirão sempre pessoas que não sabem que as
têm”, comentou.Por isso, reiterou, fazer o teste é a única maneira de saber que tem a doença.“Não
é preciso fazer TAC, nem ressonância, é apenas uma gota de sangue”,
disse, lembrando que, com a covid-19, as pessoas habituaram-se a
realizar testes, que neste caso também salvaram e quebraram cadeias de
transmissão da doença.Rui Tato Marinho alertou que todos devem fazer o rastreio: “Basta estar vivo, ter uma relação sexual e ter uma destas doenças”.Por outro lado, advertiu, Portugal tem neste momento “muita imigração” e até de países com mais risco.“Mesmo
que o problema seja resolvido na população portuguesa, temos de pensar
que temos imigrantes vindos da Ásia, da África, onde há países em que a
percentagem de pessoas infetadas é maior”, disse.Nesse
sentido, disse o especialista, “o objetivo também é ajudar essas
pessoas que vieram para Portugal, onde têm melhores cuidados de saúde, e
oferecer-lhes o que a medicina portuguesa tem de bom, que é ajudar a
salvar vidas”.Em 2021, fizeram-se em
Portugal 17.573 testes de rastreio à hepatite B e 22.820 testes à
hepatite C, com uma prevalência de 1,12% e de 1,09% de resultados
reativos, respetivamente, refere o relatório.“Os
dados de 2021 mostram uma recuperação na tendência crescente do número
de testes realizados nestes contextos, ultrapassando mesmo os dados de
2019”, ano pré-pandemia. De forma sustentada, a proporção de casos reativos identificados tem vindo a diminuir anualmente.“Os
doentes com hepatite C são cada vez menos nas consultas, muitos foram
curados e tiveram alta e os doentes com hepatite B são os que já lá
estavam, porque em muitos casos é uma doença crónica para toda a vida”,
disse Rui Tato Marinho.A Direção-Geral da
Saúde associou-se aos restantes países da Europa, reforçando a
necessidade de continuidade de respostas adequadas por parte dos
serviços que acompanham os doentes em situação de maior risco.