DGArtes: Teatro terá 45% do reforço financeiro para Programa de Apoio Sustentado
3 de abr. de 2018, 11:33
— Lusa/AO online
Em
comunicado, a DGArtes divulga a repartição das verbas pelos vários
concursos e áreas, na sequência de protestos dos artistas, sobretudo na
área do teatro, e do anúncio do Governo de reforçar o programa em dois
milhões de euros anuais, entre 2018 e 2021.O
comunicado vai na linha do anúncio feito na segunda-feira à noite, em
declarações à RTP, pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes,
de que este programa da DGArtes, na área do teatro, vai ter um reforço
de 900 mil euros por ano, representando 45% dos dois milhões anuais,
enquanto 23% (460 mil euros), serão para as modalidades de música e
cruzamentos disciplinares, e 9% (180 mil euros) para as artes visuais.Castro
Mendes admitiu ainda uma revisão do novo modelo de apoio às artes, que
este ano entrou em vigor, e garantiu que, mesmo "através de outras
formas", serão atendidas as estruturas que "merecem apoio".No
comunicado hoje divulgado, a DGArtes aponta que a atribuição de mais
verbas para os concursos "resulta do elevado número de candidaturas
consideradas elegíveis pelas comissões de apreciação para as quais, por
limitações nas dotações, não foi possível atribuir financiamento"."O
número de candidaturas consideradas elegíveis pelas comissões de
apreciação (candidaturas com pontuação mínima de 60% em cada critério)
evidenciou o diferencial entre os montantes solicitados (das
candidaturas elegíveis) e as dotações disponíveis nalguns dos
concursos", refere.Os
valores já anunciados pelo ministro são indicados no mesmo comunicado,
que seguem os critérios de distribuição, em função da diferença entre os
montantes solicitados das candidaturas elegíveis e os montantes
atribuídos.Ainda
segundo os critérios delineados, "nenhum concurso deverá ter mais de
45% do montante global dos concursos (mantém-se a regra subjacente à
distribuição inicial por concurso), com exceção do concurso de apoio à
dança, "uma vez que foram atribuídos 74% dos montantes elegíveis, muito
superior aos demais concursos".Outra exceção é o circo contemporâneo e artes de rua "uma vez que se trata de uma área nova a concurso".A
DGArtes indica ainda que a repartição no âmbito de cada concurso será
feita "nos termos dos regulamentos em vigor, de acordo com a pontuação e
ordenação atribuídas pela comissão de apreciação a cada candidatura,
após a fase de audiência de interessados".De
acordo com o quadro divulgado pela entidade, a diferença entre o valor
solicitado e o atribuído, para 2018 e 2019, foi de 2.274.805 nas artes
visuais, 692.328 euros no circo contemporâneo e artes de rua, 5.575.372
nos cruzamentos disciplinares, de 1.248.101 euros na dança, de 5.734.945
euros na música, e de 12.181.695 euros no teatro.Na
segunda-feira, o ministro da Cultura tinha afirmado na RTP que a tutela
"não deixará cair estruturas que, quer pela sua história, quer pelo seu
passado, quer pela atividade que têm hoje, e pela renovação que têm
sabido fazer, merecem apoio"."O Governo, o ministro, o secretário de Estado" estão "abertos a repensar o modelo" de apoio às artes, acrescentou.No
sábado, o Governo anunciou o reforço, para 72,5 milhões de euros, do
montante disponível até 2021, do Programa de Apoio Sustentado,
acrescendo meio milhão, do orçamento anual da DGArtes, ao valor de 1,5
milhões prometido pelo primeiro-ministro, António Costa, no passado dia
20 de março, num total de mais dois milhões de euros por ano, durante os
quatro anos de vigência dos concursos.As
candidaturas ao Programa de Apoio Sustentado da DGArtes - que financia
grande parte da atividade artística em Portugal -, tinham aberto em
outubro com um valor global disponível de 64,5 milhões de euros, para o
quadriénio 2018-2021, em seis modalidades: circo contemporâneo e artes
de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e
teatro.O
concurso para a modalidade de teatro tinha, inicialmente, um montante
global de 29,67 milhões de euros, até 2021, devendo subir agora aos
33,27 milhões. Na
área de cruzamentos disciplinares, os valores disponíveis devem
aumentar agora para os 13,88 milhões de euros; na música, para os 11,94
milhões; e, nas artes visuais, para pouco mais de cinco milhões de
euros, no período 2018-2021.Segundo
números da DGArtes, no total das seis áreas a concurso, no Programa de
Apoio Sustentado, foram admitidas 242 das 250 candidaturas apresentadas,
"para uma distribuição regional máxima de 45% para cada região" -
Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, assim
como as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, pela primeira vez
incluídas nos concursos nacionais.Os
resultados provisórios conhecidos mostram que companhias como o Teatro
Experimental do Porto e a Seiva Trupe, assim como o Teatro Experimental
de Cascais ficaram sem financiamento, à semelhança das únicas estruturas
profissionais de Évora (Centro Dramático de Évora) e de Coimbra (Escola
da Noite e O Teatrão), além de projetos como Cão Solteiro, Bienal de
Cerveira e Chapitô.Estes
dados deram origem a contestação no setor e levaram o PCP e o Bloco de
Esquerda a pedir a audição, com caráter de urgência, do ministro da
Cultura, em comissão parlamentar, e da diretora-geral das Artes, Paula
Varanda.O
CENA-STE, Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e
dos Músicos, a Rede - Associação de Estruturas para a Dança
Contemporânea, a Plateia - Profissionais Artes Cénicas, e o Manifesto em
Defesa da Cultura, num comunicado conjunto, anunciaram ações de
protesto para sexta-feira.