DGArtes: BE acusa ministro da Cultura de "erros muito graves" e pede mais dinheiro
3 de abr. de 2018, 14:20
— Lusa/AO online
“O
Ministério da Cultura fez erros muitos graves este ano” na questão dos
concursos, afirmou aos jornalistas Catarina Martins, à margem de uma
visita à Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados
da Amadora (CERCIAma), horas depois de o ministro ter anunciado, na RTP,
mais um reforço de verbas e a revisão do modelo de financiamento. Para
a líder bloquista, o “Governo errou clamorosamente”, “é bom que o
ministro da Cultura reconheça o erro, é grave que tenha errado e devia
ter prevenido”.O BE, lembrou, aliás, “chamou a atenção para esta questão várias vezes”. A
solução “vai exigir mais financiamento, mais dotação financeira” ao
nível do financiamento de 2009, que são verbas muito baixas, “quase
inexistentes do ponto de vista do Orçamento do Estado”. “Lembro que para toda a cultura [o valor] é 0,2%, o que arredondado dá zero”, ironizou. E
porque não “é preciso inventar a roda”, é preciso “não deixar” que
“fechem as portas” às “estruturas que trabalham com escolas, fazem as
agendas culturais” ou “fazem com que cada um tenha acesso ao
conhecimento, à arte ou poder pensar sobre si próprio”. “Essa decisão tem de ser tomada o mais depressa possível”, concluiu. A
coordenadora do Bloco recordou a situação difícil em que se encontram
várias estruturas culturais espalhadas pelo país, que não só do teatro,
que se endividaram para "agora saberem que não têm dinheiro" do Estado,
em mais uma crítica ao ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro
Mendes. A
líder bloquista lembrou que PS, PSD e CDS chumbaram uma proposta do BE
no Orçamento do Estado de 2018 para repor os valores para os níveis de
2009 (cerca de 20 milhões de euros). Para
o futuro, defende que o orçamento da Cultura deve entrar na agenda, por
força da contestação de vários agentes culturais e artísticos.Até
hoje, admitiu, "não tem existido uma força social para impor uma
mudança", para colocar "na agenda o orçamento para a Cultura", afirmou. Na
segunda-feira, o BE pediu para ouvir no parlamento a diretora-geral das
Artes e o ministro da Cultura sobre os resultados provisórios dos
concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das
Artes, que considera não serem aceitáveis.Os
resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado
2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm
suscitado protestos de companhias e criadores.Estes
resultados garantem apoio estatal a 50 candidaturas das 89 avaliadas na
área do teatro, ficando de fora 39 estruturas, como o Teatro
Experimental de Cascais, o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o
Festival Internacional de Marionetas e Festival Internacional de Teatro
de Expressão Ibérica (FITEI), O Teatrão e Escola da Noite, em Coimbra, e
o Centro Dramático de Évora.Entre
as companhias mais apoiadas do programa, segundo os resultados
provisórios, estão o Teatro Praga, a Companhia de Teatro de Almada, os
Artistas Unidos, O Bando, o Teatro do Noroeste, a Companhia de Teatro de
Braga, a Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), a Comuna - Teatro de
Pesquisa e o Novo Grupo - Teatro Aberto.Um
conjunto de agentes do teatro reuniu-se no sábado em Lisboa em
contestação ao processo, tendo decidido constituir uma plataforma e
pedir uma reunião ao primeiro-ministro, António Costa.Os
concursos ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 abriram em
outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar
modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais,
cruzamentos disciplinares, música e teatro.No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponível até 2021, para 72,5 milhões de euros.