Dezenas de pessoas na ilha Terceira apresentam queixas diretamente ao Governo Regional
24 de out. de 2019, 10:02
— Lusa/AO Online
À
entrada da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, em Angra do
Heroísmo, onde na véspera o executivo açoriano se tinha reunido com o
Conselho de Ilha da Terceira, as funcionárias recolhiam as inscrições,
acompanhando a população à sala do governante pretendido. À
exceção do presidente do Governo Regional, todos os secretários
regionais e o vice-presidente do executivo estiveram disponíveis durante
cerca de uma hora e meia para receber a população. É
assim desde que Vasco Cordeiro tomou posse como presidente do Governo
Regional, em 2012. Em todas as visitas estatutárias realizadas às ilhas
em que não existem sedes de secretarias regionais e nas visitas de
trabalho à Terceira, ao Faial e a São Miguel, há lugar na agenda para
ouvir diretamente os açorianos. Desde as
obras que esperam por desenvolvimentos às queixas de quem perdeu as
poupanças de uma vida, foram diversos os temas que levaram as pessoas a
sair de casa num dia de chuva, mas a maior parte optou por fugir dos
microfones da comunicação social. O
vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, que tutela as pastas
do emprego e das finanças, foi o mais requisitado neste encontro. À
porta, entre as várias pessoas que aguardavam pela sua vez na fila,
estava Pedro Vaz, um dos muitos lesados do Banif nos Açores. Com a consciência de que o caso é “complicado”, disse não estar à espera de “soluções”, mas de “alguma luz ao fim do túnel”. “O
que me interessa saber é qual é a postura do Governo Regional perante
esta situação dos lesados dos Açores”, afirmou, em declarações à Lusa.Há
quatro anos que o Banif, que tinha adquirido o Banco Comercial dos
Açores (BCA), encerrou portas, e desde então que Pedro Vaz aguarda por
uma solução que o leve a recuperar o dinheiro que perdeu, mas esta é a
primeira vez que se reúne com um membro do executivo regional. “Não
tem havido uma grande intervenção da parte dos lesados. Tem a ver com a
postura dos açorianos, são pacatos e são pessoas simples e confiantes
naquilo que as autoridades podem fazer”, justificou.Já
Ana Félix, membro da Junta de Freguesia das Lajes, no concelho da Praia
da Vitória, aproveitou a visita do Governo Regional para fazer um ponto
da situação de alguns pedidos de apoio para obras na vila que estão “há
largos meses” à espera de resposta.“Passados
estes meses todos queríamos saber em que ponto é que está e se podemos
ou não contar com o apoio do Governo para executar estes projetos”,
avançou, dando como exemplo a construção de um parque de campismo, de um
jardim público e de um armazém para arrumos.Os
membros desta junta de freguesia, do PSD, cor oposta ao Governo
Regional (PS), dizem que o acesso à informação por outras vias é
difícil, pelo que escolheram o período de reunião com a população para
falar com os secretários que tutelam as Obras Públicas e a Cultura.“Enviamos
‘emails’, pedimos reuniões, as respostas não são dadas, portanto temos
de aproveitar um momento destes, que é para o público em geral, para
poder vir reclamar da falta de informação”, salientou Ana Félix.Também
Francisco Ventura, membro da Comissão Fabriqueira da Igreja da Agualva,
no concelho da Praia da Vitória, foi ao encontro da secretária regional
dos Transportes e Obras Públicas em busca de um ponto de situação sobre
uma candidatura, apresentada em fevereiro, de apoio às obras de
beneficiação do telhado do templo, que já se encontra “num estado
avançado de degradação”.“É fundamental
perceber onde é que se enquadra, os montantes e a ajuda que nos vão
conseguir dar, porque sem isso é muito difícil fazer as obras”, afirmou,
considerando que estas reuniões tornam “mais fácil” o contacto com o
executivo açoriano.O Governo Regional dos
Açores termina na quinta-feira uma visita de três dias à ilha Terceira,
onde os governantes se reuniram com várias entidades e visitaram várias
obras.