Dezenas de milhares de judeus reúnem-se em Jerusalém para bênção tradicional
15 de abr. de 2025, 15:11
— Lusa/AO Online
A bênção
dos Cohanim é um ritual com mais de 2.500 anos, que remonta à época em
que o Templo do Rei Salomão se erguia naquele local. É
realizada por judeus do sexo masculino que conseguem comprovar a sua
linhagem a partir da casta sacerdotal, e ocorre três vezes por ano,
durante as principais festividades judaicas. Atualmente, os judeus
celebram a festa da Páscoa, que dura uma semana.A
oração foi liderada por vários dos principais rabinos do país, assim
como por Eliya Cohen, um ex-refém libertado de Gaza em fevereiro, e por
familiares de outros reféns que continuam detidos no enclave. Após a bênção tradicional, os rabinos recitaram uma oração pelos 59 reféns que permanecem em cativeiro na Faixa de Gaza.Muitos
dos fiéis referiram que a oração tem este ano um significado especial,
tendo em conta a guerra em curso, que já dura há mais de 18 meses. “É
difícil para nós acreditar que ainda há reféns que não podem voltar a
casa, estar aqui e juntar-se a nós”, disse Shandey Fuchs, que afirmou
que participa na cerimónia todos os anos, acrescentando esperar que a
oração traga unidade e uma paz duradoura para todo o país.A
bênção é recitada em hebraico, enquanto os líderes religiosos cobrem a
cabeça com xales de oração, criando um mar branco na Praça do Muro
Ocidental. Esta área pavimentada, em frente ao muro, é o último vestígio do Segundo Templo Judaico, destruído no século I. Segundo
a Fundação do Património do Muro Ocidental, entidade responsável pela
gestão do local, mais de 200 mil pessoas visitaram o espaço durante a
Páscoa judaica – uma das três festividades nas quais, segundo a
tradição, os judeus da antiguidade faziam peregrinações a Jerusalém.