Dez chefes de equipa de cirurgia do Hospital Santa Maria apresentam demissão
10 de nov. de 2021, 18:59
— Lusa/AO Online
"Hoje
chegou ao nosso conhecimento uma carta de demissão da totalidade dos
chefes de equipa de cirurgia do Hospital de Santa Maria", disse Jorge
Roque da Cunha, solidarizando-se com os médicos.O
dirigente sindical adiantou que "há vários meses" que os profissionais
de saúde têm chamado a atenção para "a insuficiência das equipas, não só
a nível do serviço de urgência como também no próprio serviço".
Roque da Cunha apontou que "é um quadro envelhecido" que se agravou
nos últimos meses com a saída de profissionais que, entretanto, se
reformaram e não têm conseguido contratar médicos, adiantou.Roque
da Cunha salientou que “a falta de investimento que ocorre neste
momento no Serviço Nacional de Saúde faz com que não haja condições para
disponibilidade de bloco”, além de falta de anestesistas e dos
“próprios materiais” devido aos “atrasos que são conhecidos de
pagamentos para este tipo de produtos”.Por
isso, acrescentou, “tal como ocorreu em Setúbal, tal como ocorreu em
Braga, tal como ocorreu em Leiria, um pouco por todo o país, [estes
médicos] resolveram tornar pública essa sua insatisfação”.“Este
grito de alerta é no sentido de exigir mais investimento no Serviço
Nacional de Saúde”, vincou o dirigente sindical, salientando que “o
Ministério da Saúde não pode dizer que desconhece o problema”.“Não
pode dizer que encontrou soluções na contratação de centenas de médicos
porque como bem sabemos esses médicos são muito inferiores àqueles que,
entretanto, saíram”, acrescentou. O
secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos frisou ainda que,
qualquer destes médicos, se assim o entendesse poderia ter “muito mais
conforto”.“A esmagadora maioria deles já
fizeram mais de 500 horas extraordinárias, já deram muito mais do que
aquilo que a lei os obriga a pagar em termos de trabalho, poderiam ter
lugar em qualquer dos grupos privados que afanosamente têm estado a
contratar e tem conseguido muitos dos médicos”, salientou.Saudou
ainda “a coragem” dos médicos que fizeram este “grito de alerta” e fez
“um apelo fortíssimo” para que a ministra da Saúde “encare o problema”.“Não
é o facto de ter ocorrido a dissolução do Parlamento que poderá
encontrar aqui desculpas porque são questões de gestão corrente”, disse,
apontando que “nos últimos anos os orçamentos nos hospitais estão
abaixo daquilo que são as suas necessidades”.