Detidos por alegada burla no âmbito do Subsídio Social de Mobilidade aguardam em liberdade
3 de jul. de 2020, 18:14
— Lusa/AO online
"Não
obstante ter concluído pela forte indiciação dos factos, o Juiz de
Instrução Criminal entendeu não existir perigo de fuga, de perturbação
da investigação ou de continuação da atividade criminosa – pressupostos
legais da aplicação de medidas de coação – em razão do que restituiu os
arguidos à liberdade, nessa condição ficando eles a aguardar os
ulteriores termos do inquérito", lê-se num comunicado da Comarca dos
Açores.A nota, assinada pelo juiz
presidente do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores, Pedro Soares de
Albergaria, adianta que foram "presentes ontem" (quinta-feira) ao "Juiz
de Instrução Criminal de Angra do Heroísmo quatro detidos por suspeitas
de crimes de falsificação de documentos e de burla praticados no
contexto da atribuição do subsídio social de mobilidade e que terão
lesado o Estado em centenas de milhares de euros". "Os
factos reconduzem-se, essencialmente, à falsificação de faturas e
cartões de embarque, posteriormente apresentados nos CTT com uso de
dados pessoais de indivíduos recrutados pelos arguidos para o efeito",
acrescenta a Comarca dos Açores.A Polícia
Judiciária (PJ) anunciou na quarta-feira a detenção de cinco pessoas por
alegada burla ao Estado "no contexto de atribuição do Subsídio Social
de Mobilidade", durante uma operação nas ilhas de São Miguel, Terceira e
Pico, nos Açores, e no continente.O
comunicado da PJ avançava que através do Departamento de Investigação
Criminal dos Açores, e com a colaboração do Departamento de Investigação
Criminal de Braga, no âmbito de inquérito tutelado pela Secção de Angra
do Heroísmo do DIAP da Comarca dos Açores, foi realizada na terça-feira
a Operação designada “Ícaro”, e "concretizada nas ilhas de São Miguel,
Terceira e Pico" e "em Portugal continental".No
decorrer da operação foram realizadas seis buscas e detidas cinco
pessoas – três mulheres e dois homens – pela presumível prática dos
crimes de falsificação de documentos e de burla qualificada, "com
prejuízo para o Estado, na ordem das centenas de milhar de euros, no
contexto de atribuição do Subsídio Social de Mobilidade", de acordo com a
PJ.De acordo com o comunicado divulgado
na altura, "existem fortes indícios de que as pessoas detidas
falsificaram faturas e cartões de embarque, utilizando dados pessoais de
indivíduos que recrutaram para pedir o reembolso fraudulento do valor
subsidiado, em diversas estações dos CTT, não só no Arquipélago, como
também em Portugal continental"."De entre as pessoas recrutadas foram já constituídos 35 arguidos", acrescenta o comunicado.As
três mulheres detidas têm 27, 29 e 37 anos, e os dois detidos 30 e 35
anos, "um destes com antecedentes criminais pelo mesmo tipo de crime",
segundo a PJ.