Detidos no caso de alegada corrupção em organismos do Serviço de Saúde nos Açores colocados em liberdade
14 de out. de 2017, 22:49
— Lusa/AO online
Os quatro
arguidos, que estavam detidos "fora de flagrante delito" por mandato
emitido pela Procuradora -adjunta titular do inquérito, começaram a ser
ouvidos na última sexta-feira à tarde pelo Juiz de Instrução Criminal de
Ponta Delgada tendo terminado o interrogatório já hoje à tarde.Segundo
uma nota de imprensa, os quatro arguidos colocados em liberdade estão
todos proibidos de "contactar com os demais constituídos arguidos" e
"proibidos de se ausentarem para o estrangeiro" à exceção de apenas um
arguido (António Prates).A nota especifica, que o médico Paulo
Margato, que foi exonerado esta sexta-feira pelo Governo Regional dos
Açores do cargo de delegado de saúde de Ponta Delgada, está indiciado
por "um crime de tráfico de influência" e de "um crime de associação
criminosa".O arguido que chegou a ser diretor clínico do Centro
de Saúde de Ponta Delgada, cargo que deixou em 31 de agosto a seu
pedido, fica também "suspenso de funções no Centro de Saúde de Ponta
Delgada".Quanto ao arguido José Ponte que está indiciado por
"dois crimes de corrupção passiva" fica ainda "suspenso de funções no
serviço de Aprovisionamento do Hospital Divino Espírito Santo", em Ponta
Delgada. A nota refere ainda, que o empresário Pedro Gomes está
indiciado por "doze crimes de corrupção ativa" enquanto o empresário
António Prates, familiar de Fernanda Prates que se demitiu esta
sexta-feira do cargo de presidente do concelho de Administração da
Unidade de Saúde de ilha de São Miguel, está indiciado de" um crime de
associação criminosa".Ricardo Pacheco, advogado do médico Paulo
Margato e do empresário António Prates, foi o único que falou aos
jornalistas à saída do Tribunal de Ponta Delgada referindo que houve um
decréscimo de crimes a que os arguidos estão indiciados. "Quando
entraram neste Tribunal vinham indiciados de um conjunto de situações
mais vasta e houve uma clara e significativamente redução em relação aos
indícios", disse.O advogado explicava que Paulo Margato "estava
inicialmente indiciado de quatro crimes de corrupção (um de corrupção
ativa e três de passiva) e um de associação criminosa" e que António
Prates estava inicialmente indiciado por "associação criminosa e por um
crime de corrupção passiva".Quanto à "condição" em que Paulo
Margato é arguido neste processo, o advogado alegou que se tratavam de
"questões internas que estão cobertas ao segredo de justiça".Ricardo
Pacheco criticou ainda a forma como Paulo Margato foi exonerado das
suas funções de delegado de saúde do concelho de Ponta Delgada."O
Dr. Paulo Margato informalmente já manifestou que se queria demitir mas
foi demitido, lamentamos a forma como foi feito numa perspetiva de
alguma cordialidade, o principio de presunção de inocência vigora para
todos", lembrou.No decurso da operação da PJ, que ocorreu nas
ilhas de São Miguel e Terceira, foram realizadas 25 buscas, entre
domiciliárias e não domiciliárias, que envolveram todo o efetivo de
inspetores do departamento, dois inspetores da Unidade Nacional de
Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica e cinco magistrados,
referiu a PJ em comunicado.Além das quatro detenções, foram
"apreendidos diversos equipamentos informáticos e de comunicações, bem
como acervo documental com interesse probatório, relacionado com a
prática das atividades criminosas em investigação".De acordo com a
PJ, estão em causa "práticas ilícitas que visavam obter posições
indevidas de privilégio na realização de contratos de fornecimento de
bens a organismos prestadores de serviços de saúde, a troco de
contrapartidas pecuniárias e outras, lesivas do interesse público".