Despesas com estruturas de acompanhamento dos abusos sexuais na Igreja e apoio psicológico ascendem a 1ME
Hoje 12:51
— Lusa/AO Online
Numa
entrevista à Renascença, José Ornelas adiantou que se
trata de um valor além do que vai ser pago às vítimas a título de
compensação financeira, num total de 1,6 milhões de euros, conforme
anunciado na semana passada.O milhão de
euros agora divulgado inclui o que foi pago aos técnicos da Comissão
Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na
Igreja Católica Portuguesa e do Grupo Vita (estrutura criada para
acompanhar e prevenir situações de violência sexual na Igreja Católica),
bem como o apoio médico especializado às vítimas (psicológico e/ou
psiquiátrico) e medicação ao longo de todo o processo, o que vai
continuar a ser assegurado, segundo o também bispo de Leiria-Fátima.José
Ornelas reconheceu que a compensação financeira que a Igreja vai dar às
vítimas “não apaga o mal que foi feito”, mas considerou justo o valor.A
Conferência Episcopal anunciou em 26 de março que as vítimas de abuso
sexual na Igreja Católica vão receber entre 9 e 45 mil euros e já foram
aprovados 57 pedidos no valor de mais de um milhão e meio de euros.Segundo
a CEP, dos 95 pedidos recebidos, 78 foram considerados elegíveis e 17
foram logo arquivados. Dos considerados elegíveis, 11 foram indeferidos,
57 pedidos já tiveram luz verde para compensação, no valor de 1.609,650
euros.Dos 78 pedidos de compensação
considerados inicialmente elegíveis, há ainda nove em fase final de
análise e um pedido pendente que aguarda decisão da Santa Sé.José
Ornelas referiu ainda a assembleia plenária da CEP, que neste mês de
abril vai eleger novos representantes e decidir o futuro do Grupo Vita.“O
Grupo Vita tem um contrato até junho e não quero sequer fazer barulho
sobre isso, porque isso vai ser decidido na próxima assembleia plenária
da CEP”, disse.Na entrevista à Renascença,
o presidente da CEP criticou também a morosidade nos processos de
legalização de imigrantes, destacando tempos de espera “vergonhosos”.José
Ornelas disse que “é preciso regular a imigração e punir as redes de
tráfico de pessoas, mas quem vem trabalhar tem de ser bem acolhido e tem
de se apostar na sua integração”.